sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

MULTINACIONAL BUNGE É ACUSADA DE USAR POLÍCIA E DELEGADA EM TRAMA CONTRA LÍDER POPULAR


Uma trama sinistra, que visaria desmoralizar lideranças populares e consolidar o poder na região de uma empresa acusada de promover crimes ambientais, foi denunciada ao delegado-geral da Polícia Civil, Rilmar Firmino, para que sejam tomadas imediatas providências. Ela envolve a multinacional Bunge, uma delegada da Polícia Civil de Barcarena, o presidente de uma associação de moradores do município e um secretário de Estado do governo de Simão Jatene. Até armação de flagrante policial e suborno são citados.

Vamos aos fatos: a Associação Mista dos Moradores do Assentamento Jesus de Nazaré, de Barcarena, representada por seu presidente, Bosco Oliveira Martins Júnior, por meio do advogado Ismael Moraes, ingressou na Delegacia-Geral da Polícia Civil com representação e pedido de providências contra a delegada Quésia Pereira Cabral Dórea, lotada naquele município. A entidade afirma que vem sendo molestada pela multinacional Bunge, que quer instalar um porto de barcaças em local que impactará diretamente o seu território, ocupado por assentados, em área cuja propriedade ainda consta em nome de Kleber Menezes, secretário do governo estadual, que “cuida dos interesses dessa multinacional dentro do governo estadual, com grande articulação junto às outras secretarias, mas que se tornará impossível, porque é onde vivem comunidades tradicionais”.

A principal liderança das entidades que resistem à agressão é Bosco Oliveira Martins Júnior, que numa ação judicial movida pelo escritório de advocacia de Ismael Moraes, obteve contra a Bunge liminar da Vara da Fazenda Pública de Belém – juiz Elder Lisboa Ferreira da Costa -, impedindo a empresa de estacionar suas barcaças naquela localidade. Ainda de acordo com a representação ao delegado-geral, vários depoimentos foram colhidos na Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), em Belém.

“Após isso, essa multinacional passou a corromper policiais e a cooptar, também por suborno, duas presidentes de associações, entre elas Jandira Leal, que deu depoimento contra a Bunge, para incriminar o sr. Bosco”, diz a representação, acrescentando que referidas pessoas, juntamente com a gerente da multinacional Bunge, passaram a se reunir na própria delegacia e fora dela, onde a representada – delegada Quésia Cabral Dórea - registrou depoimentos, que agora mantém, segundo manda informar “em segredo de justiça”.

Vários indícios de envolvimento dessa delegada com a multinacional Bunge são narrados por comunitários, que a acusam de nunca atendê-los, diferentemente dos interesses da Bunge. O advogado Ismael Moraes solicitou, por escrito, cópias desses depoimentos, mas as autoridades policiais locais negam-lhe acesso.

Mais adiante, na representação encaminhada ao delegado-geral, Rilmar Firmino, é citado “outro exemplo de prevaricação” da delegada Quésia Dórea: “é o caso gravíssimo de agressão contra a mesma adolescente pelo companheiro da mãe, registrada em depoimento do pai, senhor Herlon, e acerca de que nada foi feito pel autoridade policial representada”.

Flagrante forjado e emboscada
 
Também chegou ao conhecimento do advogado que estava em articulação um “flagrante a ser forjado com a participação de uma delegada de Barcarena, informação que ficou registrada em boletim de ocorrência na Delegacia de Investigações e Operações Especiais (DIOE). Segundo as entidades locais, apenas a representada é “delegada”. Outrossim, a sra. Jandira Leal e a própria mãe da adolescente S.K.S.O forjaram ter a mesma sofrido abuso sexual por parte do mesmo sr. Bosco, o que foi desmentido pela adolescente no Conselho Tutelar em Belém e perante autoridades policiais.

Ainda conforme boletim de ocorrência e termos de declarações de Bosco e de outra testemunha prestadas perante a autoridade policial da DIOE, o sr. Sandro Ferreira denunciou o oferecimento de proposta de R$ 3 mil para que levasse o sr. Bosco a uma emboscada – fariam parte disso policiais civis de Barcarena?
 
Por fim, o advogado Ismael Moraes pede ao delegado-geral que determine o encaminhamento dessas informações à Delegacia de Crimes Funcionais (Decrif) para instauração de inquérito policial para apurar os diversos crimes “ora narrados, haja vista fortes indícios de estarem envolvidos policiais civis de Barcarena”. 
 
Rilmar Firmino, chefe da Polícia Civil do Pará, recebeu a representação contra delegada
A Bunge, despejou soja podre no Furo do Arrozal e foi obrigada pela Justiça a sair do local

Um dos flagrantes de grãos apodrecidos da Bunge: agora, ela quer calar denunciante
Trecho da representação feita pelo advogado Ismael Moraes ao delegado-geral

 

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