VER-O-FATO: JATENE EXPLICA DEMORA PARA RECUPERAR PONTE DO MOJU E DÁ ESTOCADAS EM BARBALHO

domingo, 20 de dezembro de 2015

JATENE EXPLICA DEMORA PARA RECUPERAR PONTE DO MOJU E DÁ ESTOCADAS EM BARBALHO

Por falta de fiscalização, a ponte foi derrubada e assim ficou por 1 anos e 9 meses

O trecho recuperado atraiu a multidão que não suportava mais tanta demora

Ele deveria ficar calado - afinal, não fez mais do que sua obrigação como governante, embora tivesse passado 1 ano e 9 meses para restabelecer um trecho danificado de pouco mais de 70 metros da ponte do Moju -, mas Simão Jatene resolveu falar. E ao falar, abriu a guarda para elogios e também muitas  críticas, vindas de todos os lados. O recado do governador, porém, tinha endereço certo: o ex-aliado político, amigo de longas datas, mas hoje um feroz inimigo, o senador Jader Barbalho e seu grupo de comunicação. Jader, como se sabe, quer enfiar o filho, Helder, de qualquer maneira na cadeira de governador, em 2018.

Pelo Facebook, Jatene explica porque demorou tanto para devolver à população o trecho da ponte derrubado pela inércia da fiscalização estadual, que aliás nunca se fez presente nos outros trechos de rios cortados pela chamada Alça Viária. E aproveita para dar a velha cutucada em Barbalho: "imediatamente, a crise instalada mostrou-se terreno fértil para a crítica fácil e as soluções mirabolantes para "resolver de qualquer jeito". E com a aproximação do ano eleitoral, não foram poucas as tentativas de manipulação da opinião pública por parte do já conhecido grupo político sem escrúpulos, que não perde a esperança de mais uma vez usar o Estado e nossa gente". 

Jatene acerta na dose, ao bater em Barbalho, mas espalha o veneno em direção à população.  Foi ela quem mais sofreu com o "acidente", que poderia ter sido evitado caso os pilares da ponte fincados no leito do rio fossem protegidos por defensas, uma providência agora tomada. É a tranca na casa depois de a porta ter sido arrombada. Infelizmente, é o contribuinte quem paga essa conta salgada. Mais uma vez, para variar.

O governador explica que a opção para consertar a ponte foi sempre assumir que se fizesse o que precisava ser feito e, "graças a isso, tivemos hoje a felicidade de devolver à população uma ponte ainda mais segura, com toda a sua estrutura reforçada e não somente o trecho fraturado pelo choque da balsa. Uma ponte reconstruída sob a premissa da qualidade e o compromisso da segurança, como demonstra o fato de terminarmos esta longa jornada sem a ocorrência de nenhum acidente". A pergunta, aqui, é a seguinte: por que não fez isso como governador, ao pegar a ponte toda construída na gestão do dr. Almir Gabriel? Teve tempo e verbas para fazer a manutenção e prevenir acidentes.

"Nós tínhamos uma escolha a fazer e fizemos. Entre a opção de, por exemplo, acelerar os trabalhos, utilizando dinamite, ferindo o meio ambiente e atropelando protocolos de segurança sob o perigoso argumento de que os fins justificam os meios, e a alternativa de preservar a qualidade e a segurança, ainda que essa escolha significasse uma jornada de trabalho muito mais longa, ficamos com a segunda opção", alega o governador em outro trecho de sua mensagem no Facebook. 

Lições

Nessa parte, Jatene diz algo aterrador. A ele teria sido oferecida a opção de detonar com dinamite as "línguas" da ponte que ficaram lambendo o rio Moju. Se os técnicos fizessem isso, convenhamos, seria uma insanidade, pois há opções oferecidas pela moderna tecnologia que dispensa o método primitivo sugerido ao governo. O que, na verdade, foi feito, embora a decisão por essa opção levasse mais de um ano para ser tomada. De qualquer forma, o meio ambiente agradece. 

Na parte final, Jatene afirma que voltou ao Moju "não para inaugurar ou re-inaugurar uma ponte ou algo do gênero", mas para "agradecer a paciência dos usuários da estrada, mas também dos moradores da cidade que viram suas vidas serem desorganizadas e tiveram que conviver um longo tempo com uma situação excepcional. Voltei mais uma vez e encontrei uma bela festa e recebi o carinho impagável de uma gente que rejeita a manipulação e o oportunismo e prefere a verdade ainda que muitas vezes seja inconveniente". No primeiro trecho, o governador diz uma verdade e é sincero. Ninguém aguentava mais tantas desculpas para a demora em devolver a ponte aos contribuintes que diariamente por ela trafegam. No segundo trecho da mensagem, mais uma estocada em Barbalho, no "Diário do Pará" e outros veículos do grupo do senador, para manter o arranca-rabo paroquial e a briguinha insuportável. 

Ao declarar, finalmente, que "as pontes" aproximam pessoas e destinos, "ampliando os horizontes de quem vive e trabalha neste chão amazônico entrecortado pelas águas dos nossos rios. Rios generosos, que não nascem para nos afastar, mas para nos unir e para que a vida siga seu curso", Jatene exercita sua veia poética. Ele sabe lidar com as palavras.

Mas é bom não esquecer da lição que extrapola a literatura: as pontes que aproximam pessoas e destinos são as mesmas que as afastam, sobretudo dos governantes que demoram nas ações em benefício do bem comum.  

2 comentários:

  1. Sim, mas em quanto ficou esse remendo?

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  2. Quero saber se o Estado vai cobrar o valor gasto da empresa que destruiu a ponte. Só isso.

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