domingo, 27 de dezembro de 2015

AS PREVISÕES DO BARÃO DE TAMUATÁ PARA 2016.

 
O redator do blog Ver-o-Fato, em suas andanças pelo sudeste do Pará, dez dias atrás, encontrou-se com o maior guru desconhecido de todos os tempos. Um vidente, ou profeta, que põe no chinelo - melhor dizendo, no lixão do Aurá - esses videntes que se danam a fazer previsões, todo final de ano. Nostradamus, Edgar Cayce, Mãe Dinah, por exemplo, nunca passaram de amadores perto dele. É um homem da terra, nascido no Pará, que fala "égua", "paidégua", "arreda aí, mano", e que faz previsões assustadoras, na mosca, inclusive sobre o tal mosquito da dengue, zica e chikungunya. 

Esse vidente é diferenciado. Além do futuro, ele também faz previsões sobre o passado. Se você ainda não o conhece (nem o dito cujo sabe, na verdade, quem ele próprio é, embora alguns maledicentes o chamem de filho daquela), vamos apresentá-lo. Com vocês, o Barão de Tamuatá. O pai de todos os videntes e imprevidentes. O sábio mais ignorante já surgido na face da Terra. A contradição das contradições.

Dono de um currículo invejável, até para os mais invejosos. O Barão de Tamuatá, para quem não sabe - e faz muito bem em não querer saber - possui doutorado, pós doutorado, além de outros títulos não clubísticos, pela UTEPA - Universidade dos Trapaceiros do Estado do Pará. É também "imortal" - pois não tem onde cair morto - da Academia Paraense de Letras Protestadas. Foram títulos conquistados com muita transpiração, principalmente ao fugir da polícia e dos grupos de extermínio que dominam Belém. Sabe como é, não é fácil ser trapaceiro em cidade onde a concorrência é forte.

Foi sabendo disso que o Barão de Tamuatá decidiu dar um tempo em sua vida torta e picar a mula de Belém. Foi esconder-se na Serra dos Carajás, num daqueles buracões da Vale visto do espaço. "Eu precisava recarregar minhas baterias e fui me entocar na mata, para receber as mensagens do Além e saber como ficará o Brasil e o mundo, em 2016", justificou o Barão de Tamuatá. Mas antes que se fale de suas peripécias e de sua maior qualidade, a de fazer previsões imprevisíveis, capazes de assustar o mundo e diretores de filmes de terror, melhor é apresentá-lo ao distinto público. 

Quem ele é? Qual sua origem familiar? O que já fez pela humanidade para ser esta pessoa tão desconhecida e famosa até em ilha deserta?  Em primeiro lugar, ele teve uma infância atormentada. Tomou um violento choque - maior do que ao ler a conta de luz da Celpa, no final do mês - quando soube, pelo pai desnaturado, que não tinha sido concebido na pedra de peixe do Ver-O-Peso, em meio a uma noitada de cachaça, entre seu suposto genitor e uma periguete. Esse boato correu por Belém inteira, em bocas de sapo, de matildes, e nas festas de aparelhagem.

Católico fervoroso, desses que não sai de um terreiro de Umbanda, o pai do Barão de Tamuatá revelou num confessionário que nosso vidente papa-açai era filho legítimo da Matinta Pereira com um guarda noturno. Ao tomar conhecimento dessa terrível revelação, o vidente dos videntes entrou em profunda depressão. Tentou o suicídio duas vezes: primeiro, tentou atirar-se debaixo de um ônibus do BRT, na Augusto Montegro. Foi salvo, felizmente, pela inércia do prefeito Zenaldo Coutinho, porque o BRT não existe.

Depois, tentou pular do segundo andar do prédio do PSM da 14 de Março, mas descobriu que o local tinha pegado fogo. Como suicida, o Barão revelou-se um fracassado. Por sugestão de amigos da onça foi bater no divã de um psicanalista. Queria entender porque tanta sofrência, tanta urucubaca. Esperava que o psiquiatra dissesse que estava maluco, mas o doutor o desestimulou: "sinto muito lhe dizer, mas o senhor está melhor do que eu, que ainda presto serviço ao SUS". O Barão saiu correndo daquele consultório. 

Pensou em mandar o pai de araque para a cidade dos pés juntos, enfiado num belo paletó de madeira. Novamente refletiu e resolveu que melhor seria gastar a herança que o velho havia deixado para ele. Nova surpresa, nova decepção. Sua frustração ao saber da herança foi maior que a do Helder Barbalho, que dormiu eleito em 2014 e acordou vendo o Simão Jatene pela terceira vez na cadeira de governador. A tal herança não passava de uma cueca  suja sem dólar dentro, a velha dentadura que havia ganhado num comício do PSDB, um disco do Mr. Catra e um título de sócio-torcedor do Sacramenta Esporte Clube.

Sem lenço, nem documento, mais carente do que Belém de obras, o Barão de Tamuatá decidiu inscrever-se no programa Bolsa Família do governo Dilma, embora sua família, na verdade, seja apenas um rato de estimação a quem chama de Dudu, um casal de patos foragido de restaurante naturalista, além do macaco-prego a quem ensinou a roubar esmolas de velhinhas nos sinais de trânsito. Não ganhou a casa, porque o país entrou em crise. Foi pedir conselhos ao Lula, mas o ex-presidente mandou lhe dizer que não sabia de nada. Magoado com as injustiças do mundo,  resolveu dar  (opa) tudo aos pobres. 

Antes de embrenhar-se na floresta amazônica, largou os pecados e aderiu à vida ascética. Não come mais nada, nem ninguém. O redator do blog sabia que o único bem que restara ao profeta dos profetas era seu incrível dom de prever os fatos, o destino das celebridades, dos burgueses entediados, dos governantes montados na carne seca, e dos políticos picaretas. 

Nas próximas postagens, você ficará sabendo das terríveis previsões do Barão de Tamuatá para 2016. Prepare-se. Depois dessas revelações, você jamais será o mesmo. Sua vida mudará para sempre. O blog jura. Pela fé da mucura.

Aguarde.

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