quarta-feira, 11 de novembro de 2015

SOJA E MILHO AVANÇAM NO SUL DO PARÁ


A soja e o milho avançam sobre a floresta no sul do Pará

O cenário está mudando em diversas áreas do sul e sudeste do Pará onde antes predominavam espaços ocupados pelo gado. Agora, o que se vê, são plantações de soja e milho. Essa nova fronteira agrícola cresce alimentada por fatores como terra barata, ampla área de cultivo e facilidade para escoar a produção. Tudo impulsionado pela tecnologia trazida para as duas regiões por produtores oriundos de outros estados.

Segundo a Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja-Pa), o cinturão de grãos formado em seis municípios – Conceição do Araguaia, Redenção, Cumaru do Norte, Santa Maria das Barreiras, Santana do Araguaia e Floresta do Araguaia - fez o plantio dar um salto monumental, pulando de 500 hectares, em 2002, para mais de 110 mil hectares nos últimos 13 anos. A safra colhida das duas culturas, ano passado, superou 420 mil toneladas, representando um aumento de 46% em relação a 2013.

Nada mal, ainda mais em época de crise. O campo deve, mais uma vez, salvar a cidade. Os números da Companhia Nacional de Abastecimento são fiéis: a estimativa de 2015 é de que as duas regiões paraenses produzam a metade dos 1,3 milhão de toneladas de grãos de todo o Estado. Terra, na verdade, tem de sobra, apesar de alguns matarem e morrerem por ela.

Um estudo da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), por exemplo, revela que o Estado possui cerca de 30 milhões de hectares de pastagens que podem ser usadas na agricultura, o que representa 24% de todo o território paraense. Segundo Leandro Tenório, presidente da Aprosoja-Pa, hoje está ocupado apenas 1% do total de 10 milhões de hectares de áreas degradadas nas duas regiões. Como a expansão da produção de soja e milho está apenas no começo, a perspectiva é muito boa.

O Pará, sem dúvida, é terra boa, generosa e acolhedora. E seu solo, além de fértil para o plantio, também é barato se compararmos o valor médio do hectare. Para se ter um exemplo, enquanto em Mato Grosso o preço do hectare gira em torno de R$ 37, no Pará, ele é de apenas R$ 5,8, isto é, cerca de seis vezes menor.

Só falta, para baratear o custo do transporte de grãos, tirar do papel o derrocamento do Pedral do Lourenço, para que o rio Tocantins seja navegável e permita a passagem da soja e do milho até o porto de Vila do Conde, para seguir rumo ao mercado internacional.

Hoje, os grãos do nosso sul e sudeste são escoados pelos vagões da ferrovia Norte-Sul, distante mais de 400 km das plantações paraenses. Tudo é levado em caminhões e carretas até Colinas (TO), embarcado em vagões e transportado até o porto de Itaqui, no Maranhão.

É muita mão de obra.

__________________     BASTIDORES___________________

*O assunto começa a sumir da imprensa de Belém, que aliás realizou uma cobertura deficiente do caso: os 4.800 bois mortos dentro do navio Haidar, no porto de Vila do Conde, no começo de outubro, ainda estão no fundo do rio Pará. Engenheiros e técnicos ambientais, ouvidos pela coluna, sugerem que eles, depois de retirados do rio, sejam incinerados em fornos da Albrás.

*Enterrar os bois em algum local, como está definido pela Companhia Docas do Pará, na opinião dos técnicos, pode comprometer o lençol freático e contaminar a água bebida pela população de Barcarena. E não seriam restos em decomposição de meia dúzia de bois, mas 4.800 animais. Pensar sobre isso não dói.

*Com a licença ambiental nas mãos, a Vale já começa a trabalhar para ampliação da capacidade de produção de ferro de 2 milhões de toneladas ao ano para a exploração de 6 milhões de toneladas anuais, no município de Curionópolis.

*O representante da empresa, Luciano Madeira, ao receber o documento, disse que além do aumento da produção, o ferro extraído da mina possui boa avaliação no mercado por seu alto teor de concentração ferrosa.

*Se a produção de milho e soja disparou em seis municípios do sul e sudeste do Pará, o mesmo não se pode dizer da armazenagem dos grãos. Ela ainda precisa ser fortalecida. Hoje, existem apenas três silos para armazenagem. A meta é construir mais cinco silos nos próximos anos.

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