VER-O-FATO: OUTRA EXECUÇÃO POR PISTOLEIROS EM ANAPU: AGORA SÃO 8

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

OUTRA EXECUÇÃO POR PISTOLEIROS EM ANAPU: AGORA SÃO 8


A Comissão da Violência no Campo só vai a Anapu, terra onde mataram irma Dorothy, dia 1º
Em menos de cinco meses, oito assassinatos com características de execução por pistoleiros contratados por grileiros de terras e madeireiros da região. Em Anapu, no sudoeste do Pará, onde lei e ordem são potoca, a violência anda solta, fazendo vítimas, sobretudo entre os mais pobres. 

Segundo denúncia da Comissão Pastoral da Terra (CPT) em Anapu, um jovem identificado por enquanto apenas como Willis, funcionário de uma empresa de segurança contratada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), foi encontrado morto na estrada que leva ao Projeto de Desenvolvimento Sustentável Esperança, o assentamento fundado pela missionária Dorothy Stang, que em 2005 foi assassinada a tiros por pistoleiros contratados por gente poderosa daquela região.

O caso foi relatado pela CPT, com pedido de providências, ao Ministério Público Federal (MPF). O rapaz assassinado ficava de guarda na entrada do PDS Esperança justamente para evitar a invasão de madeireiros e grileiros, uma condição que foi requisitada ao Incra pelo próprio MPF para evitar as ameaças e invasões no assentamento. De acordo com a CPT o corpo do jovem foi levado ao Instituto de Perícias Científicas de Altamira.

“A CPT Anapu/Altamira além de denunciar a gravidade do que está ocorrendo na região, insiste que se desencadeie operações de emergência, de investigação e de prevenção, da inominável escalada de violações de direitos humanos em Anapu. Não é aceitável ligeireza, a parcialidade, as prévias conclusões, com que certos agentes policiais vem tratando a situação. Não é aceitável que não se desencadeie séria investigação, perícias técnicas de qualidade – balística, de local, de busca efetiva de evidências, circunstâncias que possam levar aos responsáveis”, diz a nota enviada ao MPF.

Na última semana, o MPF já tinha requisitado à Ouvidoria Agrária Nacional que enviasse equipe até Anapu para ouvir as testemunhas da escalada de violência que, de julho até agora, com a morte de Willis, já soma 8 mortos com características de execução por pistoleiros. Ocorre que a Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo chega dia ao município somente no dia 1º de dezembro para colher o depoimento dos familiares das vítimas. Ela também vai até às áreas conflituosas - lotes do Incra ocupados por fazendeiros. A morte, mais uma, chegou primeiro que a ação governamental.

A CPT relaciona os crimes à Regivaldo Pereira Galvão, conhecido na região como "Taradão", assassino condenado a 30 anos de prisão pela morte de irmã Dorothy que nunca chegou a cumprir pena, porque recebeu do Supremo Tribunal Federal o direito de recorrer em liberdade. De acordo com a CPT, o lote 83 é terra pública, mas ficou conhecido na região como " Fazenda do Taradão". O documento menciona, além dos sete posseiros já executados, a existência de uma lista com mais de 30 nomes de moradores que estariam marcados para morrer.

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