VER-O-FATO: NA CAÇADA AO ELEITOR, O BURACO É MAIS EMBAIXO

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

NA CAÇADA AO ELEITOR, O BURACO É MAIS EMBAIXO

 
A incerteza no horizonte político faz com que a cautela dê as cartas na expectativa de reeleição de muito prefeitos, seja entre os que estão bem na foto junto ao eleitorado, ou quem se sustenta sobre o fio da navalha. Não é fácil, a esta altura do campeonato, diante de uma recessão econômica forte e turbulência política, planejar passos eleitorais para daqui a dez meses, se não se sabe sequer o que poderá ocorrer amanhã.

Os olhos e ouvidos do País estão voltados para Brasília, onde no caldeirão das conveniências fervem, ao mesmo tempo, os mandatos da presidente da República, Dilma Rousseff, e do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. A sorte de um pode estar ligada à desdita de outro. Cunha já avisou que se tiver o mandato cassado por quebra de decoro parlamentar, antes disso colocará em votação o pedido de impeachment de Dilma.

O ex-presidente Lula, temendo que o naufrágio político atinja a aliança PT-PMDB, já encomendou um acordão, previsto para funcionar da seguinte maneira: o Conselho de Ética empurra com a barriga o processo de cassação de Cunha, enquanto o deputado coloca na geladeira o impeachment da presidente. É claro que falta combinar isso com alguns russos – dissidentes do PT, que querem a cabeça do presidente da Câmara numa bandeja, ou parcela do PMDB quer quer chutar Dilma do Planato.

Se Dilma e Cunha caírem abraçados, o saldo político disso vai respingar em todo mundo. Como se vê, não há clima, nos estados e municípios, para se planejar nada. O prefeito que disser hoje que não está nem aí para o que ocorre em Brasília, ou está mentindo ou pensa que o eleitorado é trouxa. O que ocorre no Planalto determina o comportamento da Planície. E na Planície paraense o mar também está revolto, com prefeitos atolados em rejeição de suas contas pelos tribunais e impopularidade. O “fantasma” da inelegibilidade, para completar o cenário nebuloso, é o ingrediente que atormenta.

Ninguém se arrisca a dar um passo sem consultar o termômetro político e econômico nacional. Se a dúvida não sai da cabeça dos prefeitos – respeitando-se as exceções, é lógico -, os vereadores que tentam a reeleição e os pretensos concorrentes a uma cadeira nas Câmaras Municipais sabem que não está fácil para ninguém. O troca-troca de partidos e o esfacelamento de alianças podem levar candidaturas para o buraco.

E os mecenas, empresários que bancam as campanhas eleitorais, hoje assustados com investigações da Operação Lava-Jato e outras menores que pululam por todo o País? A Justiça já botou na cadeia nomes de peso das maiores construtoras, lobistas que abasteciam caixas de campanha e cabos eleitorais que conduziam malas de dinheiro para gabinetes e comitês. É preciso pensar várias vezes antes de doar dinheiro para candidatos. A contrapartida pode representar um tiro no pé.

Afinal, gato escaldado tem pavor de água gelada.

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