VER-O-FATO: MATADOR DE CASAL DE EXTRATIVISTAS FOGE DA CADEIA, EM MARABÁ

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

MATADOR DE CASAL DE EXTRATIVISTAS FOGE DA CADEIA, EM MARABÁ

Quem ver este criminoso por aí, favor denunciar à polícia. Ele não pode ficar impune

O casal foi morto em 2011. José Cláudio teve a orelha cortada por um dos pistoleiros

Ele foi condenado a 42 anos e 8 meses de prisão, em regime fechado, pela prática de duplo homicídio com requinte de crueldade e sem dar qualquer chance de defesa às suas vítimas. Na última segunda-feira, porém, Lindo Jonson Silva Rocha, que estava preso no "Centro de Recuperação Agrícola Mariano Antunes (Crama)", em Marabá, desde 2011, por ter assassinado cruelmente o casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva, 54 anos, e a esposa dele, Maria do Espírito Santo, de 53, no assentamento Praia Alta Piranheira, em Nova Ipixuna, fugiu durante as aulas práticas do curso de auxiliar técnico em agropecuária promovido pelo Senar.

Lindo Jonson estava na área do semiaberto da penitenciária e participava do curso por apresentar bom comportamento. Num suposto descuido da segurança do presídio, ele saiu correndo, entrou numa área de mata e desapareceu. O que chama a atenção nessa fuga e que nenhum agente penitenciário ou guarda de plantão conseguiu prender o assassino, que agora é considerado foragido de justiça.

Um inquérito foi aberto pela Superintendência do Sistema Penal do Pará (Susipe), que afastou das funções o diretor interino do Crama, Zaqueu Costa e Silva. A Corregedoria da Polícia Militar e da Susipe estão investigando as circunstâncias da fuga, pois há suspeita de que ela tenha sido facilitada.

O foragido é irmão do madeireiro José Rodrigiues Moreira, acusado de ser o mandante da morte do casal de extrativistas - um crime de repercussão internacional - mas que, num julgamento polêmico, foi absolvido por falta de provas. O outro participante do crime, Alberto Lopes do Nascimento, foi condenado a 45 anos de cadeia, em regime fechado. 
Após o crime, um dos acusados cortou a orelha de José Cláudio com um facão e a levou como prova ao mandante de que o trabalho havia sido feito com sucesso. O Ministério Público recorreu contra a absolvição de José Rodrigues Moreira para que ele seja submetido a novo julgamento. 

Emboscada - José Claudio e Maria do Espírito Santo foram surpreendidos por emboscada armada pelo fazendeiro José Rodrigues e seu irmão em uma estrada de acesso ao assentamento Praialta Piranheira, no dia 25 de maio de 2011. O casal recebeu tiros no peito e na cabeça. A promotora de justiça Amanda Luciana Lobato denunciou Rodrigues e Lindo Jonson por homicídio duplamente qualificado. Eles chegaram a fugir depois de ter a prisão preventiva pedida pelo Ministério Público à Justiça de Marabá, mas acabaram presos e julgados.

O casal assassinado defendia um projeto agroextrativista sustentável para o assentamento Praia Alta Piranheira. O assentamento havia sido criado pelo Incra em 1997 para abrigar cerca de 400 famílias. Desde 2005, José e Maria denunciavam a ação de madeireiros, carvoeiros e a posse ilegal da terra no assentamento de 22 mil hectares, dos quais 75% já haviam sido devastados.

Quando José Cláudio virou líder do assentamento na época, ele e sua esposa também passaram a ser alvos de ameaças. Conforme a sentença do julgamento, em 2011, o crime teria acontecido devido à compra ilegal, feita por José Rodrigues Moreira, suposto mandante do crime, de um lote de 150 hectares no assentamento Praia Alta Piranheira.

Três famílias de sem-terra viviam na metade dessas terras e não puderam ser expulsas devido ao apoio de Zé Cláudio. Por isso, Rodrigues teria decidido mandar matar Zé Cláudio.


Nenhum comentário:

Postar um comentário