VER-O-FATO: JORNAL FAMILIAR?

terça-feira, 24 de novembro de 2015

JORNAL FAMILIAR?

Em seu conceituado blog, o jornalista Lúcio Flávio aborda a opção preferencial do "Diário do Pará" pelo sensacionalismo às custas da desgraça alheia. Desta vez, além da crítica, Lúcio sugere que as instituições de direitos humanos do Pará organizem uma força tarefa para promover ações reparadoras da honra e da dignidade das vítimas ofendidas e humilhadas, que tiveram seus cadáveres expostos "pelo pasquim do senador Jader Barbalho". Veja a postagem  no blog do Lúcio, que, aliás, é sempre leitura obrigatória:  "O senador Jader Barbalho e seus filhos, o ministro Helder e o empresário Jader Filho, mostram para seus respectivos filhos o caderno de polícia do jornal de propriedade da família? Gostaria que respondessem a essa pergunta. Pois hoje, na sua escalada de infâmia, o Diário do Pará publica, na capa do caderno de polícia, a foto de um cidadão de 24 anos, Tiago do Carmo Silva, assassinado com 22 facadas no interior do município de Tracuateua, na região nordeste do Estado. Dá para ver vários cortes e perfurações nas costas (posição na qual está o cadáver na capa) e no peito do rapaz (conforme a foto interna), com o corpo todo ensanguentado. Essa “coisa” circula pelas residências dos Barbalhos, exposto à curiosidade infantil e juvenil? E o senador do PMDB, sente-se confortável nos seus pronunciamentos sobre as mazelas do Pará, quando seu jornal fomenta mais algumas, com propósitos apenas comerciais, de exploração da miséria alheia? Uma instituição dos direitos humanos devia organizar uma força tarefa para receber procuração dos familiares dessas vítimas do sensacionalismo jurídico e promover ações reparados da honra e da dignidade dos ofendidos e humilhados pelo pasquim do senador Jader Barbalho. Aliás, o que veio fazer aqui o consagrado jornalista Kléster Cavalcante, contratado no sul do país para dirigir o jornal: incrementar a sanguinolência impressa em papel? Depois da revista Contigo, mais um item no seu longo e luzido currículo". EM TEMPO: Sete anos atrás, em 11 de novembro de 2008, o Estado do Pará, por meio de sua Procuradoria Geral, ingressou na Justiça com  uma ação civil pública para impedir que os jornais Diário do Pará, O Liberal e Amazônia  continuem a divulgar "fotos/imagens de pessoas vítimas de acidentes e/ou de mortes brutais e demais imagens que não se coadunem com a preservação da dignidade da pessoa humana e do respeito aos mortos". Argumenta a ação - uma das manchetes do Jornal Pessoal, de Lúcio Flávio, daquela semana - que essas fotos e imagens são utilizadas "de forma inadequada e lesiva aos direitos constitucionais da pessoa humana, das crianças e dos adolescentes, e aos valores éticos e sociais da família". Além do Estado, assinaram a petição duas organizações da sociedade civil: o Movimento República de Emaús, fundado pelo padre Bruno Secchi, e a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos.  ‘Sórdido e cruel’ A ação civil pública considera que os três diários vêm dando "excessivo e desnecessário destaque a imagens chocantes e brutais, sem qualquer conteúdo jornalístico, mas com intuito meramente comercial, banalizando o ser humano a ponto de tratá-lo como instrumento de aumento da vendagem de jornais, o que atenta contra diversos princípios constitucionais, especialmente a dignidade da pessoa humana". O principal objetivo dos autores é a ‘readequação das notícias e fotos/imagens publicadas nos jornais impressos, de forma que seja respeitada a personalidade e a dignidade dos seres humanos que são ‘fotografados’ e exibidos de forma desumana e degradante, com desnecessário destaque das imagens de mortes violentas’. A proteção se estenderia à sociedade como um todo, representada pelos leitores de todas as faixas etárias, para que não mais sejam expostos a imagens atentatórias ao sentimento público e a relevantes valores constitucionalmente protegidos.  O Estado alega que precisou reagir ao uso diário, na imprensa, de imagens grotescas, sempre com forte apelo comercial, como recurso usado pelas empresas "para vender mais jornais". Com esse mesmo propósito, elas divulgam "imagens de cadáveres, de pessoas desfiguradas, principalmente de vítimas de acidentes de trânsito, de esfaqueamento ou de pessoas que foram linchadas nas vias públicas, muitas vezes sem nem mesmo confirmar a autenticidade das informações". Que fim levou essa ação do Estado de 2008 para deter a hemorragia fora de controle nas páginas policiais da imprensa de Belém, sete anos depois? O juiz Marco Antonio Castelo Branco indeferiu o pedido de tutela antecipada da liminar, mas, no final de abril de 2009, por unanimidade, a 4ª Câmara Cível Isolada do Tribunal de Justiça do Pará acolheu o voto da relatora, desembargadora Eliana Daher Abufaiad. A Câmara proibiu o Diário do Pará, da família Barbalho, mais O Liberal e Amazônia, da família Maiorana – de publicarem fotos ou imagens de pessoas vítimas de acidentes, assassinatos e demais formas de mortes brutais, que ofendam a dignidade humana ou desrespeitem os mortos. A desobediência à determinação acarretaria multa diária de cinco mil reais. A ordem judicial foi imediatamente interpretada, pelas empresas e suas extensões, explícitas ou camufladas - segundo Lúcio Flávio - como "uma odiosa censura prévia, que devolvia o Pará a uma perigosa situação de exceção, abalando a estrutura do estado democrático de direito. A justiça violava a proteção constitucional à liberdade de imprensa e se imiscuía indevidamente onde não tinha competência". "A reação fez uso intenso da fórmula indicada para quando o interesse das corporações é contrariado. O protesto ecoou pelo país afora e no exterior, sem maior perquirição sobre o caso concreto", disse Lúcio Flávio, na ocasião, em seu Jornal Pessoal.   Na verdade, nunca mais se falou sobre esse processo. É hora de se saber as razões desse silêncio.  O blog de Lúcio Flávio Pinto pode ser acessado no link: lucioflaviopinto.wordpress.com

Um comentário:

  1. Grande Lúcio Flávio Pinto, o baluarte da luta moralizadora deste Pará querido!
    Blogueiros imitai-o!

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