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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

INSS DO PARÁ MATA SEGURADO PELO CANSAÇO




Wander Souza da Cunha jogava, em agosto passado, uma pelada de final de semana em um desses campinhos da periferia de Belém, quando pisou num buraco do "gramado", caiu e fraturou a perna à altura do tornozelo. Ele mal havia acabado de arrumar emprego, depois de muito batalhar pela vaga, pois tem mulher e filhos para sustentar. A carteira de trabalho estava assinada e as contribuições à Previdência Social recolhidas regularmente.

Com o acidente, ele deixou de trabalhar. E para receber o benefício da Previdência, como sempre ocorre nesses casos, teria que se submeter à perícia do INSS. Mas, com a greve dos servidores da Previdência, o drama de Wander começou. Ele marcou a perícia pela Internet, mas foi informado de que só seria avaliado pelo médico depois que a greve acabasse. 

Dá para imaginar o tormento de idas e vindas - Wander conta que já foi quatro vezes para ser atendido, mas voltou no Centro de Perícias do INSS, no bairro do Marco, porque resolveram remarcar a consulta - de milhares de trabalhadores em igual situação que existem no Pará, especialmente em Belém. Sem perícia, que ateste a incapacidade momentânea para o trabalho, eles não podem receber o benefício, que equivale a 70% do salário que ganham.

No caso de Wander, que anda de muletas, pois teve que levar vários pinos no local fraturado em três partes, a situação financeira é desesperadora. A família precisa comer, vestir, calçar, locomover-se pela cidade de ônibus, enfim, tem necessidades que precisam ser preenchidas. Sem dinheiro, ou melhor, sem o benefício da Previdência Social, as necessidades aumentam.

A perícia de Wander foi remarcada, agora pela quinta vez, para o próximo dia 21 de dezembro. Até lá, tudo estará bem mais difícil. O INSS, na verdade, não está nem aí para Wander e outros trabalhadores. Os grevistas conseguiram reajuste em seus salários e voltaram ao trabalho, que praticamente quadruplicou. O setor de perícias está sobrecarregado.

São horas para alguém ser atendido. Em todo o Brasil, o transtorno provocado pela greve na Previdência a quem nada tinha a ver com ela, já acusa prejuízos para 1 milhão de brasileiros, milhares deles aqui no Pará.

A pergunta não cala: o governo vai pagar os prejuízos que o trabalhador Wander Souza da Cunha sofreu, esperando por um perícia que há quatro meses já deveria ter sido feita? 

Com a resposta, o Ministério da Previdência Social e a direção do INSS no Pará.   

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