VER-O-FATO: BARRAGENS DA VALE NO PARÁ VÃO BEM. VÃO MESMO?

domingo, 22 de novembro de 2015

BARRAGENS DA VALE NO PARÁ VÃO BEM. VÃO MESMO?


Barragens da Vale, prêmios, etc. O mundo é colorido em Carajás?
 
Ninguém quer que aconteça no sudeste do Pará a mesma catástrofe social e ambiental ocorrida em Mariana (MG). O Brasil, como é sabido, é o país das catástrofes anunciadas. Antes que elas aconteçam, surgem denúncias de que as coisas não estão indo bem e que é preciso que se tome providências para evitá-las. Como ninguém com poder de fazê-lo se mexe, acaba acontecendo o que era temido.

Depois de a porta ter sido arrombada e a tragédia aparecer a toda hora nos jornais, TVs, rádios e redes sociais, aí as autoridades saem de seus gabinetes, prometendo as famosas “enérgicas providências”, uma forma de aliviar suas consciências por nada terem feito quando poderiam fazer para evitar o pior. Essa omissão, que não deixa de também ser crime, faz parte de um vício nacional que inquieta quem não joga no time da prevaricação.

Este colunista decidiu provocar a empresa Vale, que juntamente com a BHP Billiton, é dona da Samarco, a administradora das barragens que romperam em Mariana, para saber como está a segurança das cinco barragens que abrigam rejeitos de minérios extraídos de Carajás. A direção da Vale mandou um e-mail, respondendo às indagações.

Perguntei como estavam os planos de segurança das cinco barragens localizadas em Marabá, Parauapebas, Ourilândia do Norte, São Félix do Xingu e Canaã dos Carajás. A Vale respondeu que projeta, implanta e opera suas barragens de acordo com técnicas de engenharia avançadas e boas práticas internacionais, “seguindo rigorosos controles de gestão de segurança e gestão de riscos, realizando inspeções e monitoramento sistemáticos, bem como auditorias externas anuais para identificação de anomalias e garantia das condições de segurança”.

Segundo a Vale, neste momento, todas as barragens dela no Pará “estão funcionando em absoluta normalidade, atendendo a todos os requisitos legais vigentes e com todos os aspectos de segurança garantidos”. Ela declarou que suas barragens passam por rígidas inspeções técnicas e são monitoradas por instrumentos de alta precisão, que dão rápidas respostas com relação ao seu comportamento estrutural. Os dados dos monitoramentos são analisados por engenheiros geotécnicos especializados, que avaliam frequentemente se os níveis de leituras dos instrumentos estão devidamente alinhados com as condições de operação normal das estruturas.

Disse ela que também realiza monitoramentos sistemáticos da qualidade da água em suas barragens e executa medidas de controle em rios e igarapés próximos para que sejam respeitados os padrões definidos pelos órgãos ambientais e legislações vigentes. Além de todas essas medidas, a empresa adota rígidos controles ao longo das fases de seu processo produtivo, definidos com base em estudos ambientais que subsidiaram o próprio processo de licenciamento e que proporcionam a gestão adequada dos recursos hídricos e efluentes gerados, dentre outros.

Finalmente, esclareceu que possui Planos de Ações Emergenciais para todas as estruturas em que há exigência prevista na legislação. Os planos apresentam procedimentos de mitigação e comunicação que devem ser adotados em situação de emergência, visando à preservação da vida, da saúde, de propriedades e do meio ambiente. “Os planos contem informações gerais da barragem, definição de áreas afetadas em uma ruptura hipotética, procedimentos preventivos e corretivos para situações de emergência, procedimentos de notificação e comunicação, incluindo sistemas de alerta, bem como fluxogramas de notificação e comunicação para o caso de ocorrência de um acidente”.

Muito bem. A Vale apresentou suas explicações. Pelo que se leu, tudo vai bem no melhor dos mundos possíveis. Mas, convenhamos, não custa nada o Ministério Público Federal de Marabá, a Semas e o Ibama verificarem, numa ou em várias inspeções, se tudo está realmente como diz a Vale e que não há nenhum risco de que essas barragens se rompam e tenhamos uma tragédia de proporções bíblicas no sudeste do Pará.

Afinal, seguro morreu de velho, como diz o povão.

---------------------------BASTIDORES--------------------------------
* Em 2011, o Ibama emitiu Licença de Instalação para a Vale, autorizando as obras do Projeto de Reprocessamento de Rejeito da Barragem do Gelado, localizado nas instalações do Complexo Minerador de Ferro Carajás, no município de Parauapebas.

*Esta licença tem validade de quatro anos, a partir da data da assinatura do documento e do cumprimento das condicionantes estabelecidas no processo. Ou seja, o licenciamento já está vencendo, mas não se sabe se o Ibama já efetuou vistoria para saber se suas condicionantes foram cumpridas.
* As mineradoras Alcoa e Rio do Norte, provocadas sobre a situação de suas barragens em Juruti e Oriximiná, também afirmam que não há nenhum problema com elas e que tudo está a mil maravilhas.

*Na década de 80, o Lago do Batata, em Porto Trombetas, onde se localiza o projeto da Mineração Rio do Norte, foi contaminado por rejeitos de bauxita que vazaram da barragem rompida. O dano foi notícia em todo o mundo.

* Essas explicações recorrentes de que vai “tudo bem” devem ser encaradas com um pé atrás. Só uma fiscalização rigorosa dos órgãos ambientais são capazes de confirmar ou desmentir o que essas empresas afirmam.

Um comentário:

  1. Carlos, voce esqueceu das barragens de Barcarena, da industria de caulim, onde já ocorreu um vazamento algum tempo atras.

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