sexta-feira, 30 de outubro de 2015

SINDICATO DOS EMPRESÁRIOS DE ÔNIBUS DE BELÉM HUMILHA ESTUDANTES

 
Desde cedo, a fila dava volta na calçada do Mercado de São Brás

Dentro do local de cadastramento, a completa desorganização

O genial pintor surrealista paraense, Ismael Nery, desaprovou a fila

Parecia fila para comprar ingresso numa decisão de campeonato entre Remo e Paysandu. Dobrava as calçadas em frente ao antigo mercado de São Brás. Em plena manhã desta sexta-feira, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém (Setransbel) submetia milhares de estudantes à humilhação de um cadastramento biométrico do "Passe Fácil, que dá direito à meia passagem nos ônibus da capital. Os jovens estavam submetidos a um calor infernal, num ambiente fétido, com cheiro de urina e fezes de moradores de rua que vivem no local, além da sujeira que impera na área tida como um dos cartões postais da capital paraense. 

Isso tudo ocorre na véspera de Belém completar 400 anos. Mas parece que, em vez de se modernizar e adotar até mesmo a metodologia do agendamento e descentralização da entrega do cartão, a Setransbel dá um salto para trás e mergulha na mesmice burocrática. E faz isso ganhando rios de dinheiro na administração do cartão magnético, pouco se importando com a qualidade no atendimento que oferece aos estudantes.

"Estou desde cedo aqui e ninguém do Setransbel aparece para organizar a bagunça. É assim que somos tratados, como lixo, por esses empresários de ônibus, todos mancomunados com o prefeito Zenaldo Coutinho", desabafou o estudante José Carlos Ferreira. Para Maria do Socorro Santos, que se queixava de dores nas pernas, por estar havia mais de três horas em pé e sob o sol forte, a distribuição do "passe fácil" é uma "avacalhação" que submete os estudantes a um "castigo".

A tortura das filas envolve 360 mil estudantes da Região Metropolitana de Belém (RMB), intimados a procurar os postos do passe fácil desde a última  quarta-feira para fazer o cadastramento biométrico, ou seja, a impressão digital. De acordo com o Setransbel, o processo de biometria é obrigatório e somente após o reconhecimento da digital é que o estudante terá direito ao benefício.

Além do posto  do passe fácil no Mercado de São Brás, para alunos de Belém, Marituba, Benevides e Santa Bárbara, há outro posto de atendimento, localizado na Secretaria Municipal de Trânsito (Semutran), em Ananindeua. O processo é gratuito, segundo o Setransbel. Quem sabe seja esse o motivo de submeter os estudantes a tanta humilhação de penar numa fila por longas horas. Ainda será informado o prazo para que os demais estudantes, não cadastrados, se regularizem.

Para o Setransbel, o transtorno provocado aos alunos tem o objetivo de garantir maior segurança envolvendo a utilização do benefício de meia-passagem, já que tornará impossível que outra pessoa use o cartão do estudante. Os ônibus da Região Metropolitana de Belém já estão preparados com o equipamento necessário para confirmar a digital. O uso da digital não dispensa o cartão passe fácil. Enquanto isso, haja sufoco nas filas.  

As fotos são do repórter-fotográfico Jorge Nascimento.

3 comentários:

  1. Valmir Pedro Rossi de despede dos empregados do Banco da Amazônia dia 3 de novembro, as 10h00.
    Marivaldo dizem que assume dia 18 de novembro

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  2. Caro Mendes,
    É sempre bom ler os seus textos e suas reportagens. Essa postagem, por exemplo, dos estudantes humilhados em São Braz, não merece copy. Se tu me permites, ofereço como fã, um pequeno reparo na legenda onde aludes a Ismael Nery, desaprovação daquela fila lá formada. Na foto de Jorge, a estátua em bronze do ex-governador paraense Lauro Sodré, cofia o cavanhaque. Uma vez, fiz uma reportagem a respeito daquele conjunto lá em São Braz, homenagem de Magalhães Barata ao centenário de nascimento do líder republicano da foto, o Lauro Sodré, numa obra de Bruno Giorgi que esculpiu Meteoro(que fica no laguinho defronte ao Ministério de Relações Exteriores e aquela na Praça dos Tres Poderes, chamada Os Guerreiros, mas que o povo prefere chamar de Os Candangos.
    Grande abraço
    Agenor Garcia

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  3. Realmente, Garcia, cometi uma falha - talvez, quem sabe, na intenção de que o genial Ismael Nery mereça homenagem bem maior que um um busto em praça -, a estátua é do Lauro Sodré. Você tem razão. Inclusive, publiquei matéria no Estadão e no Diário sobre o abandono da praça, mostrando que perto da estátua havia sujeira e até fezes de moradores de rua que dormem no local. Obrigado pela correção, em tempo.

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