quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Ordem de serviço garante segurança em velório, evita repetição de crime, mas comando da PM é atacado

O nível de violência que atinge o Brasil, particularmente o Pará, é semelhante ao nível de intolerância que se apossa de algumas pessoas. Na cegueira de defender a justiça com as próprias mãos, elas perdem o próprio senso de humanidade e apequenam suas almas na exteriorização do ódio. A morte do policial militar Vitor Pedroso, no último domingo, e do suspeito do crime, Jaime Nogueira Junior, dentro do Hospital da Unimed, na segunda-feira à noite, por um grupo de homens encapuzados, é o exemplo de que os nervos estão à flor da pele.

Uma ordem de serviço, aprovada pelo coronel Emmanuel Queiroz Leão Braga, chefe do Comando de Missões Especiais (CME), da Polícia Militar, e coordenada pelo tenente-coronel Albernando da Silva, de policiamento por duas viaturas da PM em frente ao local onde se realizava o velório de Jaime Nogueira Junior, o "Pocotó", provocou uma onda de revolta e indignação nas redes sociais, sobretudo depois que um vídeo sobre o fato foi divulgado pela TV RBA. O mínimo que se diz, excluindo-se os palavrões, é que o Estado e a PM "gastaram dinheiro" para proteger o velório de quem mereceu estar morto.  

Basta possuir o mínimo de compreensão das coisas para entender que o papel da PM, como da Polícia Civil, e, por extensão, das próprias Forças Armadas, é  garantir a ordem pública em qualquer lugar e prevenir eventualmente o crime se houver o risco de que ele possa ocorrer. Pois foi exatamente isso que fizeram os oficiais da PM Emmanoel Queiroz Braga e Albernando Silva, além de outros oficiais e militares envolvidos na operação.

Eles agiram como militares ciosos de seus deveres profissionais. Não poderiam ser passionais, movidos pelo ódio de quem os critica, e permitir que o local do velório ficasse à mercê de uma nova vingança armada, como a que matou "Pocotó" dentro do hospital. 

Como o jornalismo parece ter ficado em segundo plano na cobertura, pelos jornais de Belém,  de fatos que mexem com o lado emocional da população e de agentes da lei, neste Pará abandonado e com sua segurança pública em xeque, o blog Ver-o-Fato procurou a Polícia Militar para saber a opinião dos oficiais designados para cumprir a ordem de serviço. 

O tenente-coronel Albernando, por telefone, declarou inicialmente ao blog que entende o sentimento de revolta hoje existente em Belém com a onda de violência que atinge civis e militares. "As pessoas vivem a comoção de estarem num estado de barbárie com as coisas que estão acontecendo", disse Albernando. Mas, segundo ele, também é preciso que se entenda que a Polícia Militar "não poderia correr o risco de ver se repetir o fato de cenas como as ocorridas dentro do hospital, na segunda-feira". 

Para Albernando, no velório de Jaime Nogueira, o "Pocotó", um reconhecido marginal, estavam no local pessoas como a mãe, o pai, e demais familiares, além de outras conhecidas dele, que poderiam ser atacadas pelos que o mataram e que ainda estão soltos, enquanto  a polícia realiza investigações  para identificá-los e prendê-los. "O nosso papel é sempre agir preventivamente e foi o que fizemos", resumiu o oficial.  

O blog Ver-o-Fato lança a seguinte pergunta a quem puder respondê-la: se o Comando de Missões Especiais da PM não tivesse tomado a providência que tomou, de postar duas viaturas na frente e outras no entorno do local onde se realizava o velório, e houvesse uma nova incursão dos matadores de "Pocotó", para "arrepiar" no enterro, quem sabe matando inocentes, o que diriam as vozes sem noção que atacam nas redes sociais e programas de TV a ação preventiva da PM?     

Duas viaturas  da PM em frente ao local do velório de "Pocotó"
Veja aqui a ordem de serviço que provoca polêmica desnecessária
 

2 comentários:

  1. Tenho uma pergunta a fazer:
    E no velório do PM teve Ordem de serviço, ou a segurança foi garantida somente pelos policiais amigos do PM morto?
    O mesmo tratamento deveria ter sido dispensado no velório do PM.

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  2. A ameaça óbvia era contra s família do suspeito de ter matado o PM. Não seria, necessário, nesse caso, fazer segurança, no velório da vítima, que acho já tinha até ocorrido.

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