VER-O-FATO: O transporte de bois vivos é necessário? E veja o vídeo sobre a crueldade desse transporte

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

O transporte de bois vivos é necessário? E veja o vídeo sobre a crueldade desse transporte

A cada semana, milhares de bois e vacas são submetidos a uma jornada de três semanas desde o porto amazônico de Vila do Conde, em Barcarena, no Brasil, até Beirute, no Líbano. O gado é comprimido em caminhões sob o abrasador calor amazônico. Durante quatro dias são incapazes de se mover ou deitar e não recebem nem alimento nem água. Os que caem são esmagados ou feridos.

No navio, a utilização de ferrões elétricos para carregá-los aumenta ainda mais o estresse do gado enfraquecido. Esmagados contra animais estranhos, os animais se ferem uns aos outros na sua agitação. Insolações, traumas e doenças respiratórias serão dizimadores numa jornada de dezesete dias.

Quando chegam ao Líbano, os animais são muitas vezes abatidos de forma desumana e violadora das normas religiosas. Após semanas de desnecessário sofrimento animal, o consumidor é erradamente levado a crer que a carne é 'Halal'. O abate humanitário, realizado num local próximo ao de onde os animais foram criados, não só terminaria a crueldade do transporte por longas distâncias, como criaria empregos no Brasil. 
 
Segundo Paola Moretti Rueda, 32 anos, zootecnista e doutora em comportamento e bem-estar animal pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e que desde 2013 integra a equipe brasileira da Agropecuária Sustentável de World Animal Protection, que promove o bem-estar de animais de produção nas diversas fases da cadeia de produção, desde 2002, quando começou a exportação fluvial de animais vivos com o objetivo de abate ou reprodução para outros paises, vários questionamentos tem sido levantados, como tempo de jornada, condições de transporte e alimentação nos veículos, problemas sanitários, bem-estar dos animais, dentre outros.

Cerca de 95% das exportações de animais vivos são realizadas pelo estado do Pará, sendo o Brasil o 4º maior exportador do mundo, atrás apenas de Canadá, México e Austrália. Quando pensamos no montante total de animais abatidos por ano, as exportações de bovinos vivos representam cerca de 2% do total.  Ao longo destes treze anos, várias medidas foram tomadas pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento no intuito de regulamentar as condições sanitárias e de bem-estar destes animais, como a Instrução Normativa nº13 de 30/03/2010, que visa regulamentar o transporte de animais vivos por meio fluvial.

"Apesar de haver vários relatos sobre as melhorias das condições de transporte, uma pergunta deve ser feita. É necessário transportar animais vivos por longos períodos para serem abatidos em outros paises? A resposta é não. Não há motivo para enfrentarem dias de viagem, cerca de 3 semanas no caso de paises do Oriente Médio, para serem abatidos em seu destino. O mais importante é que, do momento que estes bovinos entram no navio, eles não são mais brasileiros e estão sobre responsabilidade dos países que os importam. Desta forma, estes animais não estão sob jurisdição brasileira e, portanto, nossas leis de proteção aos animais não são mais aplicáveis", diz Paola Rueda.

Na história pregressa, segundo ela, ocorreram dezenas de naufrágios envolvendo navios, iguais ao caso da terça-feira passada em Vila do Conde. "E por mais que se tente melhorar as condições de alojamento, adaptação à alimentação ou transporte, é ético colocar os animais em uma situação de risco apenas para impor exigências de abate ou aumentar a lucratividade?", critica a doutora em zootecnia da Unesp. Afinal, acidentes podem ocorrer, seja por descuido ou por uma fatalidade.

Ela analisa o relato da pós-tragédia em Vila do Conde: "além disso, os ribeirinhos que ajudaram no resgate destes animais relataram que não havia pessoas suficientes e preparadas, nem as condições mínimas necessárias para socorrer os animais. Mais uma vez ressaltamos, se há possibilidade de um acidente ocorrer envolvendo animais vivos, é preciso ter preparado um plano de emergência para o socorro. E aparentemente, neste caso, não havia preparo para isso", salienta Paola, tocando num ponto qu tem feito autoridades ambientais, CDP, Ibama, Semas, Ministério Público Estadual e Federal, além de empresas envolvidas em salvatagem baterem cabeça sobre o que fazer com os animais mortos, dentro do navio que afundou.

Há  outras formas de comércio, conclui, que podem ser aplicadas aos países que querem importar nossos animais. No caso de reprodutores, podemos exportar sêmen, óvulos, embriões; ou no caso de animais para abate, podemos comercializar a carne. "Mas temos a obrigação, como sociedade, de repensar se é ético transportar animais vivos e submetê-los a condições adversas ou possíveis acidentes desnecessariamente".

Paola Rueda: "é ético transportar animais em condições degradantes?"





Veja aqui, nesse vídeo impactante, como os bois vivos são transportados de fazendas do Pará até o porto de Vila do Conde, para embarcar para outros países e gerar lucros astronômicos para um grupo restrito de empresários. Depois de ver esse vídeo, você, como o blog Ver-o-Fato, deve se perguntar: o que o Pará ganha com isso?
 

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