VER-O-FATO: "O Liberal" demite Luzia e encerra a coluna "Panorama", de cinema. Os órfãos de cultura agradecem.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

"O Liberal" demite Luzia e encerra a coluna "Panorama", de cinema. Os órfãos de cultura agradecem.


Luzia Miranda Álvares: sua coluna foi encerrada em "O Liberal"

O tsunami de demissões que tem frequentado as redações dos jornais "Diário do Pará", "O Liberal", TV Record Belém, TV Liberal, e SBT, acaba de fazer mais uma vítima: a professora Luzia Miranda Álvares, que há 42 anos mantinha em "O Liberal", no segundo caderno, a coluna Panorama, não faz mais parte da empresa. Ela foi despedida e a coluna, morta e sepultada. A direção alegou que a coluna acabou porque o jornal passa por "reestruturação". 

Com isso, acaba também a última coluna na imprensa diária que tratava sobre cinema. Antes, em "A Província do Pará", jornal já extinto, quem escrevia sobre cinema era o crítico Pedro Veriano, marido de Luzia. O casal formou gerações de leitores, que sempre se guiavam pelas críticas feitas em suas colunas nos jornais, para conferir, diante das telas, nos cinemas de Belém, o que era escrito e tirar suas próprias conclusões. 

A coluna da Luzia já está fazendo falta, como fez a de Pedro Veriano quando "A Província do Pará" deixou de circular. Gooebels, ministro da propaganda nazista de Hitler, dizia que quando ouvia falar em cultura tinha vontade de puxar o revólver. A direção de "O Liberal" nem precisou fazer isso com a coluna da Luzia: usou o setor de recursos humanos (?) para desferir seu tiro de caneta. Que, afinal, teve o mesmo impacto da arma fumegante de Gooebels na ojeriza à cultura.

O blog Ver-o-Fato lamenta o fim da coluna de Luzia Miranda Álvares, se solidariza a ela e se coloca à disposição para que Luzia, enquanto não estrear seu site, utilize este espaço para veiculação de sua crítica sobre cinema, cuja coluna era uma das mais lidas de "O Liberal", principalmente pelos amantes da chamada Sétima Arte.  

Em sua página no Facebook, Pedro Veriano anunciou o fim da coluna da Luzia da seguinte maneira: "Depois de 42 anos a coluna "Panorama" de "O Liberal", idealizada por Romulo Maiorana e redigida por Luzia Miranda Álvares, chega ao fim. Alegaram reestruturação do jornal e Luzia, com tantos anos de atuação e vinculo empregaticio, foi despedida. Com isso acabou um ciclo de matéria em imprensa escrita especializada em cinema nesta cidade. O que acontecerá depois certamente carece do tirocinio de quem viveu cinema por tanto tempo tendo até dirigido a Embrafilme local. Felizmente estamos na fase de textos para veiculação em processo virtual e além do Blog de Luzia surgirá um site dirigido por ela. O leitor não ficará orfão".

Amém, Pedro Veriano ! 

Em tempo: veja a última coluna "Panorama", publicada ontem, 22, em "O Liberal". Clique em cima do texto para ampliar e ler.



14 comentários:

  1. Luzia até demorou muito lá. Quem a conhece sabe que sua linha de pensamento político é diametralmente oposta à do pasquim dos maiotralhas.

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  2. Banco da Amazônia descontou tres dias de salarios de todos, os engenheiros alegando que devido a açãomovida pelo sindicato dos engenheiros não somos bancarioas e a nossa greve é ilegal.
    Mandou telegrama para cada engenheiro dia 20/10 e descontou os três dias.
    Antes tinha mandado mensagem email interno.
    engenheiros voltam na segunda-feira
    Acesse o site da AEBA e vera a noticia completa.

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  3. Quem é Luzia?
    O que é cinema atualmente?
    O tempo não para, é hora de saudar a modernidade e jogar a antiguidade pra escanteio!!!

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  4. O anônimo surpreende pela visão estreita sobre a temporalidade da vida e da arte. A modernidade foi construída em cima da herança deixada por gerações passadas. A modernidade não é a negação do passada, mas a sua complementaridade. Jogar a antiguidade para escanteio, seja na cultura como na genética, é como negar a natureza do próprio DNA. Mas é perda de tempo falar sobre genética, como é perda de tempo falar sobre a importância do cinema como expressão cultural para alguém que não tem a obrigação de saber quem é a professora Luzia Álvares, mas deveria ter o mínimo de informação para pretender inserir-se na "modernidade" que defende.

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  5. O tal anônimo, cuja falta de identificação por si só já é denúnciadora, é um exemplar perfeito de estupidez e ignorância, senão de coisa pior.

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  6. Gente, o cara (Anônimo) estava sendo irônico...

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  7. Caro Marco Diniz, com os meus respeitos, o tal " anonimo ", não estava sendo irônico coisa nenhuma. Quem sabe ele não é uma das caixas de ressonância da famiglia Maiorana ? Se de fato ele tivesse caráter, jamais beneficiaria do anonimato.
    Com a " demissão" da jornalista Luiza Alvares, quem perde é o jornaleco dos " manos" .

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  8. LUZIA NÃO É NINGUÉM... É SÓ UMA DAS (SE NÃO A MAIOR) ESCRITORA AMAZONIDA. SEUS TEXTOS ECOAM PELO PARÁ, SEJA NA COLUNA DO JORNALECO QUE A DEMITIU, SEJA EM SEUS MARAVILHOSOS ENSAIOS, ARTIGOS E LIVROS SOBRE A PARTICIPAÇÃO FEMININA NA POLÍTICA PARAENSE... SEU "ANÔNIMO", LUZIA FORMOU GERAÇÕES, ELA NÃO É DE FATO, O EXEMPLO DE "MODERNIDADE" FROUXA QUE É DEFENDIDA POR CRIATURAS VAZIAS... ELA ULTRAPASSA OS MEROS LIMITES DO TEU ENTENDER.

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  9. Querido companheiro de lides jornalísticas além de grande amigo Carlos Mendes, seu texto muito me sensibilizou devido sua respeitabilidade profissional, como pelo texto em si, isento. elegante e representativo da memória de uma época. Há um fato de meu caráter e sensibilidade que muitos desconhecem e principalmente nestes tempos de violência verbal e frases chulas. Sou muito leal aos que me deram oportunidade de conseguir avançar na minha caminhada. E Rômulo Maiorana, o decano, foi uma dessas pessoas que acreditou em mim, criou o título da coluna (Panorama) porque queria que os meus textos tratassem de cinema, televisão, teatro e artes em geral. Há uma lição que levo dele. Quando me perguntou qual seria o nome para registrar na coluna eu disse - pode ser Luzia Álvares? - ele me retrucou ; mas você não tem nome de sua família? e o nome de seu pai? Eu disse: Miranda. Então ele: você assinará como Luzia Miranda Álvares. Veja, naquele momento eu estava externando um registro mais social (Álvares era nome tradicional naquele momento), enquanto ele privilegiava o sobrenome menos conhecido, valorizando o nome de minha família. Esse episódio eu jamais esqueci. E hoje, no face, meu registro na TL é Luzia Miranda. Sendo fiel ao meu primeiro empregador, eu jamais iria para outro jornal. Foi dele a primazia de tirar uma "dona de casa" de seus afazeres e me dar um espaço, lógico, pensando na minha parceria com o PV, já um crítico de renome, mas me deu a minha primeira chance.

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  10. Obrigado, Luzia, pelas referências. Minha admiração e carinho por você e pelo Pedro sempre foram especiais. Se o nosso dileto e saudoso Edwaldo Martins estivesse vivo, ele diria que vocês dois são a "cara de Belém". E eu completaria: você, Luzia, e o Pedro, são parte integrante do patrimônio cultural do Pará, onde gerações se abastecem na fonte de conhecimentos. Me sinto feliz em tê-los como grandes amigos. O tempo passa e essa amizade perdura, inabalável. Continue fazendo a nossa história, Luzia, com suas crônicas e análises cinematográficas, sempre ricas de informações. Você, e o Pedro, como os bons vinhos, continuam cada vez melhores. Muita saúde, paz e harmonia na bela família que vocês, sempre juntos e solidários, uns com os outros, ajudaram a construir. Um abraço e um beijo afetuoso. Eu e Regina amamos vocês.

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  11. Interessante como copartidários (ou coisa pior) se escondem atrás do anonimato para defender interesses seus e dos seus. Decerto ganhamos muito mais com a libertação de Luzia. Agora ela é para todos nós, democraticamente. Sucesso, Luzia!

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  12. Sou suspeito para falar de Luzia Alvares.. Esta educadora maravilhosa, viu em mim, um aluno vindo de família ribeirinha do Marajó, um potencial que ate mesmo eu duvidava.. me levou e abriu a porta de sua casa para me ensinar a dissertar.. Meu sucesso e o sucesso daqueles que seguiram meu exemplo, devo a esta excepcionalidade de mulher e sua família que me acolheram no seio de seu lar... Beijo meu ANJO!

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