quinta-feira, 1 de outubro de 2015

O filme se repete em Barcarena: moradores da Fazendinha denunciam transporte perigoso de combustíveis

O tormento na vida dos moradores da Comunidade da Fazendinha, desde que empresas como a multinacional Bunge passaram a utilizar a estrada de acesso ao local, para abastecer suas barcaças com combustível, parece não ter fim. E a cada dia surge uma nova ameaça. 

Agora, quem faz e acontece na área é a empresa Barra do Pará, que faz serviços de praticagem - que é o auxílio oferecido aos navegantes, geralmente disponível em áreas que apresentem dificuldades ao tráfego livre e seguro de embarcações.

Os caminhões dessa empresa trafegam a toda hora, lotados de combustíveis, o que coloca em risco o meio ambiente e a segurança dos moradores. O medo das famílias é que ocorram vazamentos e explosões, o que seria uma tragédia num município onde as autoridades só exercem fiscalização depois que os crimes ambientais são denunciados pela imprensa.

No dia 28 passado, um fato ocorrido na Fazendinha com a empresa Barra do Pará acabou na polícia. Havia um protesto dos moradores contra o entra-e-sai de caminhões da empresa. O motorista da empresa, Adriano Baía de Souza, registrou na delegacia da Vila dos Cabanos que ele havia acabado de descarregar combustível no porto da empresa quando no retorno foi parado por moradores que interditavam a estrada. O veículo foi impedido de seguir viagem e ficou retido no local.

No mesmo dia, também na delegacia da Vila dos Cabanos, outra ocorrência foi registrada. Desta vez, de representantes da comunidade  contra a empresa Barra do Pará. Os líderes de várias entidades de Barcarena, como Bosco Oliveira Martins Júnior, José Raimundo Araújo Ramos, Luiz Augusto Rodrigues, Paulo Sérgio Almeida Nascimento, Jandira das Dores Leal Pantoja, Antonio Cisto do Espírito Santo Lima, denunciaram que os práticos da Barra do Pará estão utilizando a estrada de acesso à Fazendinha para transportar combustível.

Segundo os denunciantes, a empresa "coloca em risco as famílias que lá residem" e acrescentam que denúncias já foram feitas a órgãos como Semas, Dema, Evandro Chagas, Ibama, MPF e MPE. Eles temem que ocorra uma explosão ou vazamento de combustível. Pedem providências e lembram que já existe um processo contra a multinacional Bunge, que utiliza a estrada e rios, poluindo a região e que isso supostamente teria provocado três mortes de moradores.

Na verdade, a Barra do Pará sequer teria licenciamento dos órgãos ambientais e fiscalizadores para transportar o combustível pela estrada da Fazendinha, o que caracterizaria uma ilegalidade que precisa ser investigada pelos fiscais da lei. O blog Ver-o-Fato tentou falar com a empresa, cuja sede fica em Belém, mas o telefone chamou por várias vezes sem que ninguém atendesse.


 

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