VER-O-FATO: GENERAL FALA EM "OUSADIA", PROMOTOR ACOMPANHA INVESTIGAÇÃO E CABO CRITICA "OMISSÃO" DO ESTADO

terça-feira, 27 de outubro de 2015

GENERAL FALA EM "OUSADIA", PROMOTOR ACOMPANHA INVESTIGAÇÃO E CABO CRITICA "OMISSÃO" DO ESTADO

 
O general Jeannot Jansen, secretário de Segurança:"foi ousadia dos executores"

Armando Brasil reuniu com a Corregedoria da PM e acompanha investigações

Xavier, da Associação de Cabos e Soldados: "nossos colegas estão morrendo"


O promotor da Justiça Militar do Pará, Armando Brasil, disse hoje que ainda não pode afirmar que sejam ligadas a grupos de extermínio as pessoas encapuzadas que na noite de segunda-feira invadiram o Hospital Geral da Unimed, no bairro de Fátima, e mataram com 13 tiros Jaime Nogueira, envolvido na morte do policial militar Vitor Pedroso, no último domingo. 

Segundo Brasil, a identificação dos criminosos vai "depender das investigações". Para o promotor, porém, o modo de operar dos encapuzados "é muito parecido", pelas características, com os utilizados por grupos de extermínio. Brasil esteve hoje reunido com o coronel Vicente Braga, corregedor-geral da Polícia Militar, tratando sobre as linhas de investigação para apuração dos responsáveis pela morte do preso que estava sob custódia do Estado, dentro de um hospital particular. Brasil vai acompanhar o trabalho da corregedoria, que depois a ele encaminhará o resultado para a tomada de medidas legais.

O secretário de Segurança Pública, general Jeannot Jansen, foi duro ao criticar o que definiu como "ousadia dos executores" em invadir um hospital para fazer justiça com as próprias mãos. "É uma ousadia inaceitável. Mostra que essas pessoas perderam absolutamente o respeito pela autoridade", afirmou o secretário, acrescentando que a polícia ainda não possui pistas sobre a identidade dos assassinos. 

"Foi uma ação violenta, de oito ou nove pessoas armadas. Estavam com capacetes, portanto até o momento não foi identificado ninguém. Eles renderam o segurança do hospital, os policiais militares que estavam montando guarda e executaram a pessoa. Isto tem que ser tratado como crime hediondo, absurdo e inaceitável", resumiu o general.
  
Para a representante da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Pará (OAB-PA), Luanna Tomaz, é lamentável que o crime no hospital tenha ocorrido perto de outra data marcante: no dia 4 de novembro será completado 1 ano da chacina que resultou na morte de dez jovens, em cinco bairros da capital, entre a noite e a madrugada dos dias 4 e 5. Segundo a polícia, todos os assassinatos tiveram características de execução, e foram cometidos logo após a morte do cabo da Polícia Militar Antônio Figueiredo, o cabo Pet, também executado a tiros no bairro do Guamá. 

O caso está sendo investigado por seis delegados, mas até hoje não foi concluído. A demora é considerada inaceitável pelos familiares das 10 vítimas, que foram executadas friamente, sem nenhuma chance de defesa, em pontos diferentes de Belém. Elas não praticavam nenhum crime na ocasião em que foram mortas. No âmbito militar, 14 PMs foram indiciados pela Promotoria Militar. Eles foram considerados "coniventes com os assassinatos ao não prestar socorro às vítimas e por não terem perseguido os verdadeiros culpados".

Preocupante - Luana Tomaz disse que a OAB está acompanhando a investigação desta execução. "Para nós é um fato alarmante, principalmente levando-se em conta que há suspeita de envolvimento da polícia, e isto nos preocupa muito. Não podemos ter uma polícia que sirva para continuar uma lógica de violência, alimentar a cultura da violência. Por isso inclusive no dia 4 de novembro vamos realizar uma audiência pública na OAB para discutir propostas de modificação da polícia que têm sido apresentadas no congresso nacional", argumentou a advogada. 

O general Jansen considera que ainda é cedo para afirmar se a execução tem ligação com a morte do policial. "Não fizemos nenhuma ligação do homicídio com a morte do soldado. Vingança é uma linha de investigação que não podemos abandonar, muito pelo contrário: uma execução por bandos rivais é possível. Seria leviano nós tratarmos, neste momento, poucas horas depois do ocorrido, com qualquer linha de investigação". 

PMs também são vítimas

Levantamento feito pela Associação de Cabos e Soldados da PM no Pará  aponta que somente em 2015 dezenove policiais militares morreram em serviço, 15 deles assassinados por bandidos, a maioria quando estava de folga do serviço no quartel. Ou seja, foram mortos simplesmente por serem policiais militares.  A maior queixa das entidades dos policiais é a ausência dos "direitos humanos" no acompanhamento desse crimes. Eles se sentem discriminados e desprotegidos, alegando que, ao contrário, os familiares dos bandidos mortos em confrontos com a PM são tratados de forma diferente, recebendo atenção e até ajuda psicológica. 

De acordo com a entidade, hoje atuam nas fileiras da PM 14.600 policiais militares, quando o ideal seriam pelo menos 35 mil homens. O presidente da Associação, Francisco Xavier, desabafa: "não podemos mais aceitar nem continuar nessa situação. Nosso colega de farda, pai de família, veio da sociedade, faz parte da sociedade, morrendo, e o Estado não está se movimentando, continua omisso", declarou, referindo-se à morte do PM Victor Pedroso, que deixou órfão um filho de um ano e dois meses.

Victor César Almeida Pedroso estava havia 2 anos na Ronda Tática Metropolitana da Polícia Militar, a Rotam, linha de frente da PM no combate à marginalidade.  Ele estudou mais de quatro anos para conseguir entrar na corporação. "Era uma coisa que ele gostava de fazer. Para nós é uma perda muito grande. Não só como irmão de farda, mas amigo", afirmou o soldado Valdeci de Souza.

Ele não estava à serviço quando foi morto. Saiu de casa e foi até uma rua próxima para pegar um ventilador emprestado, que ia levar para uma missão da Rotam. Enquanto ele esperava, foi surpreendido por assaltantes armados em fuga, que queriam a moto do PM. Ele reagiu e houve troca de tiros. Victor foi atingido na virilha e chegou a ser socorrido e atendido em um hospital particular, mas não resistiu.

Os assaltantes fugiram e um deles, baleado, fez um adolescente refém na entrada de um motel quando seguia pela travessa Apinagés. Pelas imagens das câmeras de segurança de um estabelecimento é possível ver o assaltante abordando a vítima. As negociações duraram 10 minutos. Depois que o assaltante se rendeu, ele foi encaminhado para o Hospital Metropolitano, em Ananindeua. Os outros dois bandidos, já presos, estão sob proteção policial. Há o temor de que eles também sejam executados. Do blog Ver-o-Fato, com G1

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