VER-O-FATO: CDP enterra bois em terreno e provoca protestos. Enquanto isso, 4.800 bois explodem no fundo do rio, em Barcarena

domingo, 11 de outubro de 2015

CDP enterra bois em terreno e provoca protestos. Enquanto isso, 4.800 bois explodem no fundo do rio, em Barcarena

A situação se agravou em Barcarena, nas últimas horas, diante do impasse sobre o que fazer, e como fazer, para minimizar o impacto ambiental e a impaciência das comunidades da região depois do acidente que resultou no naufrágio do navio Haidar, de bandeira libanesa, e a morte de cerca de 5 mil bois que seguiriam do porto de Vila do Conde para Caracas, na Venezuela. Os órgãos públicos não se entendem sobre o destino dos bois que, já em estado de putrefação, precisam ser enterrados ou incinerados.

Para piorar, os 4.800 bois mortos dentro do navio Haidar começaram a literalmente explodir no fundo do rio, expelindo resíduos altamente poluentes para a superfície. Ou seja, além do óleo, que contamina as praias, agora os restos dos animais em decomposição começam a se espalhar por toda região, numa tragédia ambiental que ainda parece estar só no começo. Informações de líderes comunitários, hoje à noite, davam conta de pessoas que passavam mal, devido ao odor insuportável, precisando de atendimento médico. Ocorre que só havia uma ambulância para levar os moradores em pior situação para o hospital de Barcarena.

A Companhia Docas do Pará (CDP), por outro lado, decidiu enterrar os 200 bois que morreram afogados fora das gaiolas do navio, enquanto o Haidar afundava, num terreno da localidade conhecida por Pedral, na estrada da Alça Viária. Para enterrar os animais, a CDP estaria utilizando uma autorização por escrito concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Cerca de 40 bois, porém, já haviam sido enterrados, quando moradores próximos do terreno decidiram intervir, impedindo a continuidade do serviço. Eles fecharam o local, denunciando o mau cheiro na área no transporte dos animais em estado de decomposição. 

O Ibama, na verdade, estaria usurpando a competência do Estado ao expedir a licença para enterrar os bois. O caso é ainda mais grave diante da ausência de  planejamento para o sepultamento, uma vez que os animais mortos estão misturados com óleo diesel que vazou do navio durante o naufrágio. Segundo uma fonte de Barcarena, o superintendente do Ibama em Belém, Alex Lacerda de Souza, teria negado a participação do órgão na expedição do documento autorizando a operação emergencial. 
Se isso for verdade, a CDP teria assumido o risco de responder, até judicialmente, pela iniciativa de agir sem a autorização da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), que sequer foi consultada sobre isso. O blog Ver-o-Fato tentou falar agora à noite com o presidente da CDP, Parsifal Pontes, para ele esclarecer a participação do órgão no caso. O celular de Parsifal, porém, estava na caixa postal. O dirigente do Ibama, Alex Lacerda, também não foi localizado

O secretário da Semas, Luiz Fernandes Rocha, localizado pelo blog, lamentou o episódio, afirmando que o órgão tomará providências para que a população não seja ainda mais prejudicada. "Já lavramos multa diária de R$ 1 milhão caso a situação não seja resolvida", explicou Fernandes. Perguntado se a Semas tinha conhecimento da autorização do Ibama à CDP para o sepultamento dos animais no terreno da Alça Viária, o secretário mostrou cópia do ofício enviado ao chefe do Ibama, Alex Lacerda, solicitando esclarecimentos. O ofício tem a data de ontem.

Veja o documento, abaixo.

Cerca de 200 bois em decomposição, no porto. Foto de Paulo Santos

A garça contempla o igarapé contaminado. Foto de Paulo Santos

11 comentários:

  1. Amigo, venhamos e convenhamos, esse Luis Fernandes, é o mesmo, que fez uma gestão desastrada e incompetente a frente da segup, ,_ basta ver a insegurança que assola o pará _ e ainda ganhou de presente a Semas, mesmo nada entendendo de meio ambiente.

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  2. Todas as pessoas que aboliram o consumo de carnes, laticínios e ovos, as pessoas que hoje são veganas, estão fora da responsabilidade moral por esse fato. Mas quem come carnes e derivados de animais não está. Esta tragédia é o espelho da dieta que todo mundo continua a seguir como se fosse religião.

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    1. BURRA PRA CARALHO. VAI ESTUDAR PRA DEPOIS POSTAR ALGO. ANIMAL!

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    2. Anônimo, não seja grosseiro. A Sonia Felipe não demonstrou burrice ao postar o comentário dela. Ela apenas elucidou o fato, do ponto de vista alimentar e cultural. Aonde está a burrice nisso ???

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    3. mas também não adianta nada pagar de vegano e ficar comendo soja e milho transgenico, ne?
      FORA MONOCULTURA!!

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  3. Quer dizer que so porque como carne sou responsável pelo incidente foda esaa questão nem foi levantada aqui. Aqui e discutida a falta de ação das autoridades em relação ao fato.

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    1. Indiretamente, todos que consomem carne estão intrinsecamente relacionados ao acidente, sim. Queira você ou não.

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    2. Até eu não sendo vegana/vegetariana, me sinto culpada por isso.

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  4. Quem aboliu todo o consumo de carnes, laticínios e ovos pode se enterrar, não sabe o que é bom, já virou um zumbi e está perambulando por aí.
    Com relação aos bois em decomposição esse governo é omisso, o pior governo que o Pará já teve, a prefeitura de Barcarena nem preciso falar, uma lástima, só falta querer contratar a Claudia Leitte p/ alegrar o povo ribeirinho enquanto aguarda uma resolução. Tem dinheiro p/ contratar artistas desse porte mas não tem p/ resolver os graves problemas.

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    1. Caro anônimo, quem aboliu o consumo de carne é alguém que descobriu outros sabores e uma alimentação mais diversificada, minimizando o sofrimento de animais. Não seja fanático por carne, porque senão quem já virou zumbi, incapaz de respeitar outros pontos de vista, é você.

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  5. Realmente, Luis Fernandes, secretário de Meio Ambiente, é brincadeira.

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