VER-O-FATO: A tragédia de Barcarena, os bois insepultos, a solução e os aproveitadores

terça-feira, 13 de outubro de 2015

A tragédia de Barcarena, os bois insepultos, a solução e os aproveitadores

Reunião de ontem no gabinete de crise, no porto da Companhia Docas do Pará, em Vila do Conde. Participantes: o secretário de Meio Ambiente, Luiz Fernandes, o presidente da CDP, Parsifal Pontes, o procurador da República do MPF, Bruno Valente, a Capitania dos Portos e a Defensoria Pública. À tarde, chegou o advogado Ismael Moraes, que representa diversas associações dos movimentos sociais e de ribeirinhos de Barcarena, que estavam bloqueando a própria entrada da CDP e várias estradas da região. 

Moraes  se interpôs para fazer a interlocução com os moradores, buscando resolver os problemas, o mais urgente deles, o sepultamento dos bois mortos, cujo mau cheiro torna o ar perto das praias irrespirável. As autoridades produziram um documento que tornou possível a remoção das praias e o tratamento do gado em estado de putrefação, em covas impermeabilizadas, buscando evitar um estado de calamidade ainda maior com epidemias, que fariam tantas vítimas que poderiam levar a um colapso no sistema de saúde.

As entidades da sociedade civil, por seus líderes, entendeu a gravidade do problema, desbloqueou as vias, mas manteve as exigências de assistência básica. O mínimo que pode ser feito para reparar tantos danos, os sociais e os ambientais. Tudo, então, caminhou para que o bem-comum prevalecesse. Mas, apesar de o local escolhido ficar encravado na área industrial e muito distante da área urbana, com apenas algumas habitações a distâncias bastante seguras, dentro dos critérios adotados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), conforme exigências do Ibama e da Semas, surgiram “manifestantes”, impedindo que os bois podres fossem postos na área autorizada. 

Procurado pelo Ver-o-Fato e indagado sobre as exigências feitas por alguns que se intitulavam líderes dos moradores,  Ismael Moraes respondeu que não os conhecia e que os lideres das comunidades que ele representava no gabinete da crise eram "conhecidos e identificados" e que, estes, sim, estavam empenhados na solução do problema. "Isso é muito estranho", resumiu Moraes. 

Chamou a atenção de quem foi ao local bem cedo o fato de alguns "líderes" chegarem de pick-ups, vans, motos, ou seja, que morem em outro local, em áreas urbanas distantes. E, após dialogarem com oficiais da PM, afirmarem que lhes são devidas “compensações”. Um dos líderes do movimento deixou escapar que estavam lá “garantidos pelo Vilaça”, prefeito de Barcarena.

Ou seja, enquanto aproveitadores manipularem, seja para amealhar votos, seja para ganhar dinheiro, os fantasmas dos bois ainda demorarão para desencarnar. E o risco de epidemias nas águas seguirá fazendo visagem a toda a sociedade. 
 
O gabinete de crise acerta os ponteiros, mas há muito trabalho a fazer

Nenhum comentário:

Postar um comentário