sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Ribeirinhos de Portel denunciam ameaças e perseguições do grupo madeireiro ABC/Cikel

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Portel, no arquipélago do Marajó, Gracionice Costa da Silva Correa, e o secretário de política agrária e meio ambiente da entidade, Francisco Rodrigues de Melo, denunciam ao blog Ver-o-Fato que o grupo ABC/Cikel, do ramo madeireiro, continua produzindo ameaças e perseguições contra os moradores da Gleba Joana Peres I. Eles informam que a Ouvidoria Agrária Nacional - leia-se o desembargador aposentado Gersino Silva - precisa tomar providências imediatas para evitar um conflito sangrento na região, uma vez que as perseguições das madeireiras já se tornaram insuportáveis.

Segundo a denúncia dos sindicalistas, vigias e seguranças da ABC/Cikel retomaram a velha prática dos anos 80, de fazer ronda nas áreas e casas dos comunitários, tentando expulsá-los para que as florestas sejam derrubadas e o grupo possa ganhar dinheiro com a extração de madeira. "Fizeram um novo mapeamento, que excluiu a maior parte das famílias da área e isso coage os moradores de sobreviver em sua localidade tradicional", diz nota do sindicato endereçada ao advogado Ismael Moraes, defensor da entidade.

Os funcionários do grupo alegam que há plano de manejo florestal aprovado para exploração da matéria prima, mas os moradores da gleba desconhecem que plano é esse, onde está localizado e a data em que foi aprovado. A Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) e o Instituto de Desenvolvimento Florestal (Ideflor), de acordo com os sindicalistas, informaram que desde 2013 não há qualquer plano de manejo aprovado no município de Portel. 

"Considerando a necessidade de sobrevivência das famílias, é necessário que as autoridades de nosso Estado façam algo que assegure o direito de posse e sobrevivência de todos, que estão perdendo seu sossego e moradia em seu local de origem. As ameaças são feitas aos moradores e não sabemos o que de fato o grupo ABC/Cikel faz para se manter capaz de continuar represando as famílais ribeirinhas dessa região", enfatiza a nota.

Os sindicalistas informam ainda que em 2014 ocorreram várias reuniões com o Ministério Público. Em uma dessas ocasiões foi apresnetado o mapa e diagnóstico feito em 2008, que define a área das famílias. "É preciso manter e respeitar esse limite definido por cada morador, que é o que as famílias querem e precisam, que sempre foi seu limite de uso tradicional", afirmam. Em 2015 houve reunião com a Ouvidoria Agrária Nacional sobre o problema, quando ficou definido que deve ser mantido o direito e limite de uso tradicional das áreas, ocupadas há décadas pelas famílias.

O advogado Ismael Moraes informou que irá ingressar judicialmente contra a ABC/Cikel para que os direitos dos ribeirinhos da Gleba Joana Peres I sejam respeitados. O Ver-o-Fato tentou contato com o grupo madeireiro, mas não localizou nenhum diretor que quisesse apresentar sua versão dos fatos. Um funcionário do grupo disse ao blog que não tinha autorização de seus patrões para falar.

                     Veja no mapa a área da gleba Joana Peres 1 e 2

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