VER-O-FATO: O vai-e-vem do achaque governamental. Lacerda tinha razão: "somos um povo honrado governado por ladrões"

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

O vai-e-vem do achaque governamental. Lacerda tinha razão: "somos um povo honrado governado por ladrões"

No Brasil, é assim: inventa-se imposto para ferrar ainda mais a vida dos cidadãos. Depois de sugar bastante quem dá duro para sobreviver, enchendo os cofres públicos, extingue-se o imposto, como se ele nem tivesse existido. Lá na frente, bastou uma crise, produzida pela incompetência de quem governa, o mesmo imposto metido goela abaixo de todos e extinto tempos depois, retorna triunfante, anunciado como a salvação da lavoura. Foi e é assim, por exemplo, com a CPMF, cujos passos largos de retorno já são ensaiados pelo governo.

Nesse festival de cinismo - e de conformismo da população -  entra um novo ingrediente: a obrigatoriedade de uso do extintor de incêndio em veículos automotores. Ele persistiu por décadas - enquanto nos países mais evoluídos tal obrigatoriedade nunca existiu - até que uma cabeça iluminada do Contran decidiu que todo mundo deveria trocar o extintor antigo pelo do tipo ABC. O argumento era de que o antigo não tinha quase nenhuma eficácia no combate a eventual incêndio do veículo. 

O extintor ABC, embora com eficácia duvidosa, como provaram alguns testes, foi imposto a todos. Deram prazos para a troca e houve correria às lojas. O preço disparou. O que custava R$ 110 pulou para até R$ 250 em Belém. Agora, porém, do nada, o mesmo Contran anuncia que o extintor ABC não será mais obrigatório, exceto para veículos usados em transporte comercial e produtos perigosos. O cidadão que acreditou no órgão do governo e foi obrigado a trocar o extintor pelo novo modelo, ficou com cara de trouxa.

Pergunta-se: o gênio que criou e revogou a obrigatoriedade, beneficiou a quem com sua medida? Quanto as lojas faturaram? Quanto o próprio governo faturou, cobrando o imposto na venda do extintor? E agora, como fica, também, quem renovou o estoque, esperando aumentar as vendas e terá de contabilizar prejuízos?. E a pergunta principal, que não quer calar: como fica o mais prejudicado de todos, o consumidor, que pagou caro por um produto que, agora, só usará no veículo se quiser?

Quando Getúlio Vargas estava para cair - matou-se, no auge da crise - o líder político da oposição, Carlos Lacerda, lançou a frase que virou manchete no jornal "Tribuna da Imprensa", de Hélio Fernandes. Lacerda atacou: "somos um povo honrado governado por ladrões".

Pois é, mais de 60 anos depois, a frase de Lacerda parece cada vez mais atual.

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