VER-O-FATO: O Planalto pega fogo. E da planície, o ex-bombeiro Jader joga mais gasolina

domingo, 27 de setembro de 2015

O Planalto pega fogo. E da planície, o ex-bombeiro Jader joga mais gasolina

As labaredas de fogo que saíram do helicóptero da presidente Dilma Rousseff antes da viagem para Nova Iorque, na quinta-feira, 24, não são nada perto do incêndio que se avizinha nas próximas horas, no Palácio do Planalto, quando ela terá de decidir sobre a reforma ministerial. Em Brasília, não se fala em outra coisa: Helder Barbalho, o ministro da Pesca, terá de se contentar com uma estatal vinculada à região Norte - pode ser a Eletronorte, de reduzido peso político e votos - porque seu pai, o senador Jader Barbalho, não conseguiu emplacá-lo como ministro, apesar da tentativa do vice-presidente da República, Michel Temer.

A bola do jogo está com a bancada do PMDB na Câmara dos Deputados, porque no Senado Jader não conseguiu apoio para fazer de Helder ministro. Dentro do PMDB, contudo, coisas estranhas estão acontecendo. Por exemplo, a tese de diluição dos ministérios cujos nomes para ocupá-los já foram definidos. É uma tese perturbadora para Dilma. 

O problema é que o PMDB sempre foi um partido dividido nas suas vontades de repartição do poder com o governo petista. A bancada na Câmara pensa e faz uma coisa, enquanto no Senado, onde estão os caciques, se pensa e faz outra coisa. Na verdade, a Câmara sempre foi vista pelo Palácio do Planalto como uma espécie de "barriga de aluguel" em que se definia quando, como e a hora do parto estabelecido pelo governo. 

Na gestão de Eduardo Cunha, isso mudou. A maioria dos caciques do PMDB no Senado percebeu a mudança e evita entrar em rota de colisão para não complicar ainda mais o que já é complicado. Menos Jader Barbalho, que tenta impor sua vontade a ferro e fogo, pensando unicamente na sobrevivência política de Helder.

Ele sabe que o horizonte político de 2018 ainda é incerto e carregado de nuvens pesadas. Portanto, o melhor que Jader pode fazer pelo filho é obter desde já um ministério para ele que lhe dê real visibilidade no Pará, porque o Ministério da Pesca, inexpressivo e minguado de verbas, só aparece nas páginas do "Diário do Pará" e nas rádios da família Barbalho. É muito pouco para quem almeja a cadeira de Simão Jatene.

Como não conseguiu garantir nada para Helder, o que faz Jader? Tenta melar o jogo, partindo para a tática suicida de atropelar o próprio primo, o deputado José Priante, um dos indicados pela bancada do partido na Câmara para o Ministério da Infraestrutura. Pior para o Pará, que corre o risco de ficar sem nenhum ministério. O alvo dessa ira, porém, não é Priante, mas a própria Dilma. E, para conseguir seu objetivo, o senador uniu-se ao cacoete de estadista chamado Michel Temer.

Dilma avaliou bem aquilo que Jader não quer ver. Ela definiu que o PMDB do Senado indicaria nomes para dois ministérios. Na Agricultura, Kátia Abreu, e  Minas e Energia, Eduardo Braga, os dois ministros, devem permanecer. Ou seja, o nome de Helder foi barrado no Senado e Jader sabe disso, embora não aceite.

No caso da Câmara, a bancada do PMDB conseguiu o Ministério da Saúde ( o indicado, provavelmente, será Manoel Júnior) e o da Infraestrutura - fusão dos ministérios dos Portos com Aviação Civil -  que tem entre os indicados José Priante (PA) e Celso Pansera (RJ).

Na articulação para o quinto ministério, Dilma deixou que Temer escolhesse qual o indicado, mas o vice abriu mão da escolha. A presidente chamou o líder do partido na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), e o líder no Senado, Eunício Oliveira (CE) para que ambos, conjuntamente, decidissem quem seria o escolhido. O PMDB na Câmara indicou que Henrique Alves (RN) deveria permanecer na pasta do Turismo. 

Nessa conversa com Leonardo Picciani, Dilma afirmou que Helder Barbalho ocuparia uma estatal e não um ministério, como impõe Jader. O da Pesca, que Helder ocupa, já foi declarado extinto. A estrutura da Pesca será absorvida pela Agricultura, de Kátia Abreu. 

Quando Jader soube que Dilma não queria Helder novamente como ministro, ficou furioso. Imediatamente, procurou Michel Temer e ambos foram ao encontro do ex-presidente Lula, apresentando a ele uma proposta indecente, para muitos peemedebista: "zerar o critério" de escolha dos ministros. Lula sabe o perigo que  isso representa, mas prometeu conversar com Dilma.

Ao apagar o fogo com mais gasolina, Lula e Jader  devem ter medido a extensão que o incêndio pode ter dentro das hostes peemedebistas, principalmente na Câmara, se é que ambos, a esta altura do campeonato, estão preocupados com isso. Para Dilma, com essa espada de Dâmocles sobre a cabeça, seria catastrófico decidir sobre o que já foi decidido, ainda mais para atender ao interesse contrariado de um único político: Jader Barbalho.

Melhor, para Dilma, é não contrariar a bancada do PMDB na Câmara, onde estão os votos que podem salvá-la do impeachment. Ou  apeá-la do poder. 

Priante foi indicado pela bancada para ser ministro da Infraestrutura

Jader não aceita estatal para Helder e exige ministério

Temer uniu-se a Jader para "zerar critérios" de escolha de ministros
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário