sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Jader, à beira de um ataque de nervos, peita Dilma. E coloca um jabuti na árvore da presidente

E o senador Jader Barbalho, hein? Quebrou o pau, teve piti. Soltou os cachorros, como se diz popularmente. Não, não foi na terra do açaí. Foi em Brasília, mais precisamente com a presidente Dilma Rousseff, a mulher que antes todos temiam, porque esnobava aliados políticos, mas que agora anda mansinha, mansinha, pisando em ovos, com a porteira de concessões aberta, temendo ser impichada

Jader, que meses atrás andava mofino, macambúzio, falando para as paredes, agora voltou a ficar serelepe e a cantar de galo. Como bem disse Lúcio Flávio Pinto em seu blog, hoje, o senador e cacique peemedebista "abandonou a antiga estratégia, que executou por mais de 10 anos, de se tornar uma sombra ou simplesmente desaparecer. Agindo assim, evitava se expor a novas revelações e críticas sobre o seu enriquecimento ilícito, tema monocórdio na imprensa nacional ao seu respeito".

Pois é, ele teve um ataque de nervos ao saber que seu filho e herdeiro político, Helder Barbalho, atual ministro do já declarado extinto Ministério da Pesca, ficaria a ver navios na reforma dos ministérios definida pelo governo. Seria rebaixado de cargo e teria de se contentar com um carguinho de terceiro escalão, quem sabe uma dessas estatais cuja sigla se perde na sopa de letras da burocracia nacional.

"Eu não vou aceitar isso", disse Jader ao vice-presidente da República, Michel Temer. E ameaçou retirar o apoio ao governo de Dilma. Em outras palavras, deixar o barco afundar de vez. A carta na manga do colete do senador para não engolir o alijamento de Helder da fatia do poder seria o fato de ter sido ele, Jader, quem reaproximou de Dilma o presidente do Senado, Renan Calheiros. Jader fez mais: declarou-se crítico aberto do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, hoje inimigo mortal de Dilma e cujo nome é proibido de ser pronunciado no quarto andar do Palácio do Planalto.

"Vou resolver isso, deixa comigo", respondeu Temer para Jader. E Temer sugeriu, na conversa com Dilma, na quarta-feira, diante de Jader, segurar um ministério para Helder. Não sabe ainda qual. Dilma, meio reticente, disse que resolveria tudo na volta de Nova Iorque, onde falará na Assembléia-Geral da ONU. É aí que mora o perigo. Para a própria Dilma, é claro. Ela virou refém de sua indecisão. 

Ao aplacar momentaneamente a ira de Jader, e a vontade de Lula, que atua nos bastidores, a presidente da República, porém, deixou com uma pulga atrás da orelha a bancada do PMDB na Câmara, que conseguiu o Ministério da Saúde, mas impôs ter ainda outro ministério, que seria o dos Portos, possivelmente extinto, juntamente com o da Aviação Civil, que deixaria igualmente de existir, ambos fundindo-se ao Ministério da Infraestrutura, que seria entregue ao deputado paraense José Priante, melhor cotado junto a Dilma que os outros candidatos ao cargo.

É claro que Jader não pensa em Priante e nem brigaria para vê-lo ministro. O senador só pensa e trabalha em favor do filho, Helder. É uma questão de sobrevivência política para 2018. Sem um cargo de grande visibilidade nacional e, principalmente, verbas, Helder corre o risco de ter que se contentar a voltar a ser locutor na Rádio Clube do Pará, veículo de comunicação da família Barbalho, onde já teve programa que contribuiu para alavancar sua candidatura derrotada ao governo, ano passado. 

Priante, por sua vez, nunca dependeu de Jader para bater um prego em sua vida política. Ele não tem rádio, TV ou jornal impresso, mas já está no quinto mandato de deputado federal e conquistou seu espaço político por méritos próprios. 

Quando Dilma voltar, o que Temer amarrou com ela em favor de Jader poderá sofrer mudança radical ou se consolidar. O mesmo poderá ocorrer com Priante, que nesse caso não precisou bater o pé nem fazer ameaças à presidente. Ou seja, o que vier para ele será lucro. Para Jader, não. O senador não é mais a liderança nacional que foi dentro do PMDB, tempos atrás. Dentro do partido, muitos entendem que ele mais atrapalha do que ajuda o governo com sua ambição de poder, agora tendo o filho como beneficiário.

Jader colocou um jabuti na árvore de Dilma. Vamos ver se ela quebra esse galho. Ou se arrebenta com ele.

Temer acalmou Jader e fez pedido a Dilma: um ministério para Helder

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