VER-O-FATO: Intercâmbio destaca fundos socioambientais no Marajó

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Intercâmbio destaca fundos socioambientais no Marajó

O Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) em parceria com a comunidade Santo Ezequiel Moreno, na gleba Acuti Pereira, no município de Portel, realizou nos dias 24 e 25 o “Intercâmbio entre fundos socioambientais ou comunitários”. A iniciativa buscou promover a troca de experiências entre o fundo comunitário gerido pela gleba Acuti Pereira, no Marajó, e os fundos socioambientais desenvolvidos pelo IEB em São Félix do Xingu e Amapá.

A troca de experiências dos fundos serão socializadas na oficina ‘A experiência de comunidades amazônicas com fundos socioambientais: lições aprendidas’. O evento ocorrerá no dia 29 de setembro, no IX Congresso Brasileiro de Agroecologia, em Belém. O intercâmbio foi uma atividade preparatória para o congresso que começou hoje e vai até 1 de outubro.  Participaram da experiência 40 comunitários, oriundos do Pará e Amapá, estados com crescentes ameaças aos recursos naturais.

No Pará, a pecuária extensiva e a exploração madeireira são problemas ambientais recorrentes, especialmente nos municípios de São Félix do Xingu e Portel. As práticas contribuem para que o estado esteja no topo da lista dos que mais desmatam no Brasil, apresentando mais de 250 mil quilômetros quadrados de áreas desmatadas, segundo dados de 2014 do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

No Amapá, a realidade não é diferente. Tem sido crescente a expansão de atividades de elevado potencial de degradação no território – como a monocultura, mineração e exploração ilegal de madeira, o que já resulta em 2,9 mil quilômetros quadrados de devastação florestal.

Fundos
Os fundos socioambientais surgem nessas realidades como alternativas para fortalecer os empreendimentos comunitários no acesso a financiamentos, tendo como base os princípios da agroecologia. A prática é entendida como o manejo ecológico dos recursos naturais, partindo de uma ação coletiva e participativa das próprias comunidades rurais.

O intercâmbio compartilhou resultados e aprendizados para o fortalecimento da atividade, o que objetiva contribuir para ampliar as perspectivas de desenvolvimento sustentável e geração de renda nos territórios ocupados por esses povos amazônicos.

Participante do intercâmbio, a comunitária Leonice Bezerra trabalha com abelhas sem ferrão em São Félix do Xingu e destaca a importância das práticas agroecológicas para o meio ambiente: “Quando passei a desenvolver essas práticas outras pessoas da minha comunidade se interessaram por ela. É um trabalho de formiguinha, mas aos poucos vamos aprendendo a diversificar nossas atividades, mantendo a sustentabilidade do território”, ressalta.

Referência em sustentabilidade

O intercâmbio ocorreu na comunidade Santo Ezequiel Moreno, na gleba Acutipereira, tida como referência de sustentabilidade no Marajó. A comunidade ganhou essa notoriedade devido a execução de uma diversidade de atividades produtivas sustentáveis, como o manejo do açaí nativo, a produção de polpa de fruta e piscicultura. 
As atividades só são possíveis devido ao fundo comunitário autogerido pela Acutipereira, que dá aos comunitários parcial autonomia na lógica de comercialização capitalista e permite que a renda circule no interior da gleba, resultando em benefícios ambientais e sociais aos comunitários.

Na avaliação do coordenador de projetos do IEB, Daltro Paiva, o intercâmbio foi positivo. “Conseguimos reforçar entre os comunitários a importância da organização social, como uma das condições fundamentais para a implementação dos fundos socioambientais ou comunitário”, afirmou.

IEB
O Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) é uma instituição brasileira do terceiro setor dedicada a formar e capacitar pessoas, bem como fortalecer organizações nas áreas de manejo dos recursos naturais, gestão ambiental e territorial e outros temas relacionados à sustentabilidade.


As comunidades amazônicas fazem manejo dos recursos naturais e preservam o meio onde vivem
As atividades são possíveis graças a um fundo comunitário autogerido na Acutipereira
No interior da floresta, as comunidades dão lições de organização
Nas reuniões, a troca de experiências e o planejamento de novas ações

Serviço:
Oficina “A experiência de comunidades amazônicas com fundos socioambientais: lições aprendidas
Data: 29 de setembro de 2015
Hora: 16h30 horas
Local: Hangar-Centro de Convenções da Amazônia (Sala Manga)/ Belém-Pa.
Mais informações: 91 32229363; Lucas Filho 91 91001122; Juliana Lima 91 81220902.


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