VER-O-FATO: Três repórteres e um fotógrafo apareceram para trabalhar. Paralisação em "O Liberal" e "Amazônia" é sucesso

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Três repórteres e um fotógrafo apareceram para trabalhar. Paralisação em "O Liberal" e "Amazônia" é sucesso


Apenas três repórteres e um fotógrafo compareceram para trabalhar, hoje pela manhã, nas redações dos jornais “O Liberal” e “Amazônia”, das Organizações Romulo Maiorana (ORM). Isso aponta para o antecipado sucesso da paralisação de 24 horas decidida pela categoria em assembleia-geral realizada na última quinta-feira.


Estive pela manhã em frente ao suntuoso prédio das ORM, onde trabalhei por 20 anos, e pude constatar o moral elevado da categoria em cobrar das empresas comandadas por Rômulo Maiorana Junior o mínimo de respeito profissional que os jornalistas merecem. O que eles reivindicam, na verdade, nem mereceria paralisação se as empresas valorizassem os profissionais que têm e cumprissem  os acordos coletivos de trabalho.


Os jornalistas cobram o pagamento de horas-extras acumuladas e que não aparecem nos contracheques, no final do mês. Além de não pagar, as ORM chegam ao absurdo - ou cinismo - de dizer que os jornalistas é que deveriam pagar horas-extras a "O Liberal" e "Amazônia". Uma alegação que daria para matar de rir, patética não fosse.


Além de horas-extras, a categoria cobra das empresas a negociação da data-base 2015, adormecida na mesa patronal desde abril passado. Na verdade, velhas reivindicações que há anos se arrastam. Enquanto os jornalistas exibem seus magros contracheques e clamam por melhores condições de trabalho, os patrões se lixam para os problemas de suas redações e exibem a caneta devastadora das demissões, única arma de quem, carente  da força do argumento, utiliza-se do argumento da força.


Os repórteres e fotógrafos que cumprem pautas no dia-a reclamam também da precariedade dos veículos oferecidos pelas ORM para o trabalho das equipes, isto sem falar na ausência de equipamentos de proteção individual, como coletes à prova de bala e a necessidade de os jornalistas obterem ganho real nos salários. Este é o xis da questão. Que, aliás, também acomete as redações do grupo RBA, com a diferença de que no grupo comandado por Jader Filho há coletes à prova de bala para os repórteres de polícia. Grande vantagem!


Nas ORM, como aponta o Sindicato dos Jornalistas do Pará, há outras irregularidades praticadas que motivaram denúncias ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) e ações no Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Entre elas, o não pagamento das rescisões de oito demitidos, não pagamento das férias em tempo hábil, não repasse de mensalidades sindicais e do imposto sindical descontados dos trabalhadores, etc.


O blog Ver-o-Fato manifesta seu total apoio à paralisação e espera que os patrões das ORM saibam de uma coisa, antes de se aventurarem a cortar cabeças de jornalistas: jornal se faz com jornalistas e estes merecem, internamente, o mesmo respeito que, lá fora, nas ruas, na busca incessante dos fatos, a sociedade tem por eles.

A paralisação de hoje, aliás, é a verdadeira notícia que "O Liberal" e "Amazônia" poderiam dar em manchete para seus leitores, mas que jamais será impressa nas oficinas: seus repórteres, redatores, editores, diagramadores, paginadores e fotógrafos  ganham muito mal e têm seus direitos trabalhistas violados.


2 comentários:

  1. Apoio total a greve, principalmente por saber que imprensa agora vai olhar com os olhos do trabalhador e não vai jogar a população contra os grevistas, como geralmente a mídia faz. Parabéns pela coragem e disposição à greve.

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  2. Lamentavelmente, ainda apareceram uns gatos pingados para trabalhar. Chamá-los de " pelegos" seria muito forte, prefiro acreditar que os que compareceram ainda não tem discernimento claro de seus direitos e/ou até medo de perder seus empregos. Quanto a escamotear os direitos dos trabalhadores, ah nisso os Maioranas e seus bate-paus são contumazes. Nunca pagam direito horas extras de nenhum de seus trabalhadores, sejam eles radialistas, jornalistas, publicitários, motoristas ou administrativos. Os donos das ORM ( Organização que Remunera Mal ), são cínicos e passam este mesmo cinismo para aqueles que os representam nos tribunais ou nas mesas de negociação. Praticam diária e constantemente assédio moral contra seus empregados. Chegaram ao cumulo do absurdo de obrigar trabalhadores a assinarem recibos dando quitações de dividas nunca recebidas e tiveram a cara de pai de apresentar estes recibos em audiência no TRT, quando foram desmascarados pela diretoria do Sindicato dos Radialistas, quando fui o presidente daquela entidade. Resumo, os trabalhadores que assinaram os recibos sob ameaça de demissão, confirmaram, cada um " per si ", junto ao juiz da vara do trabalho, que de fato haviam assinado os recibos, sob pressão de chefetes da famiglia. O juiz determinou o imediato pagamento da dívida processual. Estas são práticas comuns dentro daquelas empresas.

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