VER-O-FATO: Paysandu é o Pará de chuteiras hoje no Maracanã

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Paysandu é o Pará de chuteiras hoje no Maracanã


(crônica de Armando Nogueira)
O Paysandu está pegando um Ita no Norte e desembarca com toda corda no Campeonato Brasileiro. É tricampeão dentro de casa, é campeão do Norte e acaba de ser pra sempre consagrado na Copa dos Campeões. Pra mim, que também sou daquelas bandas, o Paysandu é bem mais que um bom time de futebol. 

Se o Flamengo é um estado d’alma, o Paysandu é a própria alma paraense. É pimenta de cheiro, é o Círio de Nazaré, é tacacá com tucupi, é Eneida de Morais, tia de Fafá, mãe de Otávio, campeão botafoguense. É palmito de bacaba, é Billy Blanco, é açaí, é Jayme Ovalle, inventor do Azulão, tom profundo do azul-celeste, campeão dos campeões. E sempre será também Fafá de Belém, Leila Pinheiro, Jane Duboc, canto e contracanto ao violão de Sebastião Tapajós, fluente como o rio que lhe dá o sobrenome.
O Paysandu é feijão de Santarém, é farinha de mandioca, é jambu, é manga-espada, é maniçoba que Raimundo Nogueira servia, declamando Manuel Bandeira:

“Belém do Pará, onde as avenidas se chamam Estradas.
Terra da castanha
Terra da borracha
Terra de biribá bacuri sapoti
Nortista gostosa
Eu te quero bem.
Nunca mais me esquecerei
Das velas encarnadas,
Verdes, Azuis, da Doca de Ver-o-Peso
Nunca mais
E foi pra me consolar mais tarde
Que inventei esta cantiga: Bembelelém, Viva Belém! Nortista Gostosa
Eu te quero bem.”

Paysandu, permita-me parafrasear Caymmi, cantando teu troféu de imensa glória: "Agora, que vens para cá
Um conselho que mãe sempre dá
Meu filho, jogue direito que é pra Deus te ajudar.

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