VER-O-FATO: MEMORIAL AOS ORIENTAIS

sábado, 15 de agosto de 2015

MEMORIAL AOS ORIENTAIS


 Ramiro Fernandes Nazaré *


Fiquem tranquilos. Não vos vou falar na brigalhada dessa parte da fisiografia do planeta. Eles lá se entendem. Nem tão pouco do conflito resultante das travessuras do senhor Putin. Ele tem muito com que se distrair com o funcionário traidor americano, seu hóspede em tempo integral. Quero falar aos produtores de grãos do centro e do oeste do país – de São Paulo ao Amazonas-, desesperados em contar, há muito, com uma saída viável de sua produção pela costa do Pacífico, parcialmente aliviados, agora, com o asfaltamento da BR-163 chegando ao fim, graças ao bom Deus são as primeiras, embora não as únicas, vítimas de um sinergismo de ocorrências que se juntaram para infelicitar o bem-estar da população brasileira.


A pobreza e o mimetismo de inutilidades tão presentes ao conteúdo dos cursos superiores ministrados na região, pelas Instituições de Ensino Superior, quer públicas ou privadas; a presença, inconteste, na classe política, do vazio de ideias e de conhecimento atualizado das inúmeras peculiaridades e potencialidades econômicas das comunidades que os elegeram, e a sucessiva falta de planejamento que vem caracterizando desde algum tempo a ação governamental, constituem sim as causas da generalizada situação de miséria regional que nos cerca. Acho prudente que as autoridades percebam- o quanto antes-, que essas dificuldades começam a bater à porta da outrora charmosa classe média, sobretudo após a proletarização do seu cartão de saúde- não o do SUS mas o outro-, com todos os seus vícios e malefícios, a que todos estamos submetidos.


Como a alternativa ao atual cartão do proletariado é o do SUS, vive-se hoje de buscar, como meta de realização, não o melhor mas o menos pior, sobretudo quando também soe ser o único permitido. É tamanho o embotamento da sociedade que o conhecimento dos escândalos financeiros de milhões de dólares, já não causam nenhuma mossa. Esse esforço inacreditável que contra tudo e contra todos os produtores de grãos do centro-oeste fazem para exportar sua produção, cujo valor atenua a gravíssima situação de nosso Balanço de Pagamentos, no qual está registrado o supremo desaforo à pobreza do país: 50 bilhões de dólares de gastos, em um ano, apenas em Nova Iorque, pelo turismo de brasileiros.


Esse povo desvalido que somos, está prestes a sofrer mais um violento golpe de verdadeira ação de lesa-pátria. Tal como aconteceu ha muitos anos atrás, com a injustificável saída do minério de Carajás pelo porto de São Luís, dando um prejuízo monumental ao povo paraense no decorrer dos últimos 50 anos, de dezenas de milhões de dólares, cujo mentor foi inacreditavelmente medalhado com a mais alta distinção, por entidade de classe empresarial paraense, prepara-se à socapa em Brasília, mais um esbulho ao Pará. E, novamente, com o apoio do mesmo líder político do esbulho anterior.


Se, incontestavelmente, a plena utilização da BR-163 e saída para o mar via Rio Amazonas, pelo porto da Tijoca é a melhor logística já formulada em toda a historia econômica de transportes do país, como se pode encarar, pasmem, que se trabalhe em Brasília para ser em Santana, no Amapá, o porto de saída desse trade. Um inaceitável embuste cuja dimensão errônea supera em muito ao de tantos outros que tem sido perpetrados impunemente em nosso infelicitado país.


Santana como os portos já existentes nos arredores de Belém, não tem, nem nunca terão, as condições naturais ou mesmo com intervenção da engenharia, para operar as grandes embarcações muito menos os super navios graneleiros, quer os da atualidade como os de todo um futuro previsível, na atual estratégia da navegação de longo curso. A situação brasileira na concorrência mundial da oferta de grãos, como um país sem armazéns ou silos, se tornaria altamente confortável, por muito e muito tempo, com o uso desses verdadeiros “monstros dos mares”, como são hoje conhecidos no jargão dos portos eficientes pelo mundo a fora. Tijoca e os grandes navios representarão as economias de escala, que os produtores de grãos brasileiros precisam alcançar no mercado mundial.


Em outra oportunidade lhes contarei uma ligeira estorinha de uma reunião havida há alguns anos na Câmara de Comércio de Chicago, que nos deixou muito acabrunhados por bastante tempo, face ao impacto da realidade do que lá se disse! E o que é pior, as injúrias então assacadas à maneira de ser brasileira, anos depois voltam a se confirmar como verdadeiras. Lamentável, revoltante mesmo.


Como isso tudo é tão trise !

Ramiro Fernandes Nazaré - Economista e professor


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