VER-O-FATO: Helder, ministro da Agricultura? Jader quer, Lula aprova e Dilma assina. Só falta combinar com os russos.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Helder, ministro da Agricultura? Jader quer, Lula aprova e Dilma assina. Só falta combinar com os russos.

Aliado incondicional de Renan Calheiros na briga contra Eduardo Cunha - e também na linha de frente do governo Dilma Roussef, com visibilidade e deferência no Palácio do Planalto -, o senador Jader Barbalho (PMDB) está podendo. Mais uma vez, para variar.

Embora ele não queira falar comigo para confirmar ou desmentir a informação que abaixo vou divulgar - blindado por sua assessoria de imprensa, que não retorna ligações - fonte próxima dos Barbalho me garante que Helder, o ministro da Pesca e Aquicultura, deverá dar um salto de prestígio no atual governo.

O negócio é o seguinte: o Ministério da Pesca e o Ministério da Reforma Agrária serão extintos, na reforma ministerial que vem por aí, já costurada por Dilma para atender a pressões de aliados. Esses dois ministérios serão engolidos pelo Ministério da Agricultura, que terá Helder como ministro. Em vista disso, orgãos como Incra e Terra Legal, hoje subordinados ao Ministério da Reforma Agrária também deixarão de existir. Os departamentos a ser criados no Ministério da Agricultura para cuidar da reforma agrária e regularização de terras ficarão, obviamente, sob as ordens de Helder.

E onde entra Kátia Abreu, hoje ministra da Agricultura? Fiel ao governo - no passado bem recente, que a memória curta de muitos já apagou, era opsosição radical ao PT -, ela não ficará desamparada. Pelo contrário, assumirá a chefia da Casa Civil de Dilma, substituindo Aloízio Mercadante, hoje odiado pelo ex-presidente Lula.

Quem viu aquela foto de Jader Barbalho ao lado de Lula, Renan Calheiros, Sarney,  do vice, Michel Temer, de Romero Jucá e de outros menos votados, mas nem por isso menos prestigiados no Palácio do Planalto, pode imaginar o que rolou de conversa entre eles, naquele 11 de agosto passado, no Palácio Jaburu, em Brasília. Cada um deles, naturalmente, não estava alí para cultuar a barba rala de Lula, nem exaltar as virtudes ou os defeitos de Dilma. Pensava na  sobrevivência política e na própria horta eleitoral.

Jader trabalha 24 horas para ver o filho, Helder, governador em 2018, substituindo a Simão Jatene, hoje seu arqui-inimigo político - já foram unha-e-carne, em passado recente -, e cobra o preço de sua fidelidade ao governo numa hora em que muitos pulam fora do navio governamental, comparando-o aos últimos momentos do Titanic.

O novo Ministério da Agricultura, dessa forma, repaginado e engordado, surgiria com ampla visibilidade, peso político, bilhões em verbas, além de subordinados em postos chave no Pará a serviço de Helder. É  tudo que Jader teria a seu dispor para, dessa vez, emplacar o filho no comando do Estado. É um plano que não pode falhar.

Mas, como Garrincha na Copa de 1958, para que tudo saia como no figurino, é preciso combinar com os russos. Ou melhor, com os fatos que devem surgir nos próximos meses. Com a Operação Lava-Jato em andamento, ameaças de impeachement, cassação de mandato no TSE e outras cascas de banana, como a insatisfação crescente das ruas com o poder central, tudo pode acontecer, inclusive nada, o que é improvável.

Melhor é estar vivo, para conferir.

                         Jader, que não é tolo, quer uma boa fatia do poder para Helder.

2 comentários:

  1. Não por acaso, Lula-lá beijou a mão de Jader , no comício de encerramento da campanha que elegeu Ana Júlia, em 2006, como a reconhecer ser ele um verdadeiro cardeal ou Papa da política....

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  2. Beijou, sim,Sidou, mas antes disso, bem antes, ainda antes de chegar ao poder, disse que o Jader era o maior corrupto do país. A gravação disso está disponível. A política produz essas metamorfoses, inclusive as ambulantes, como Lula.

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