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Linha de Tiro - 19/04/2018

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Exclusivo: Eis o laudo completo do incêndio no PSM da 14



O jornal Diário do Pará perguntou hoje em sua manchete: Cadê o laudo do PSM? A pergunta é endereçada ao governo Jatene e ao prefeito Zenaldo Coutinho, acusados pelo jornal de esconderem o laudo, dando a entender que haveria coisas escabrosas, omitidas da população. Mas o blog Ver-o-Fato, que faz jornalismo e não pirotecnia política, revela com exclusividade a íntegra do tal laudo sobre as causas do incêndio no Pronto Socorro Mário Pinotti, no dia 25 de junho passado.

Há questões que os peritos não respondem, principalmente sobre a verdadeira causa do incêndio do PSM. Não há nenhuma palavra sobre a precariedade das instalações elétricas do hospital, nem se o fato de a fiação da rede elétrica ser velha ou estar sobrecarregada, teria contribuído para o incêndio.

Leia o que dizem os dois peritos do Corpo de Bombeiros que fizeram o laudo e tire também suas próprias conclusões. O laudo é assinado pelo major Charlyston Wytting Cardoso de Sousa, e pelo 1º tenente Alex dos Santos Lacerda, ambos peritos de incêndios e explosões do Corpo de Bombeiros Militar do Pará (CBM).

Na íntegra, o conteúdo é o seguinte: “aos 25 dias do mês de junho do ano de 2015 neste Estado, de conformidade com a publicação do dia 01 de junho de 2015 da escala de serviço de perito confeccionada pelo chefe da 1ª seção do EMG do CBMPA e de acordo com a legislação e instruções vigentes sobre perícia de incendio, foram designados os peritos Charlyston Wytting Cardoso de Sousa e Alex dos Santos Lacerda para proceder o exame pericial no Hospital e Pronto Socorro Municipal Mário Pinotti de ocupação/uso, conforme decreto estadual 357/2007, de serviço de saúde e institucional definida como risco baixo de incêndio.

Onde foi incendiado parcialmente no bloco cirúrgico por volta das 14h25 do dia 25 de junho 2015, na Travessa 14 de Março, no município de Belém -PA. Descrevendo com a verdade e com todas as circunstâncias, o que foi encontrado, e bem assim esclarecendo as causas do referido evento e tudo o que possa interessar, tendo iniciado os trabalhos periciais às 15h30 do mesmo dia para examinar bens de interesse público. O serviço pericial foi solicitado pelo coordenador do Centro Integrado de Operações (CIOP).

I – Situação da ocupação anteriormente ao sinistro.

Tratava-se de um Hospital e Pronto Socorro que executa atendimento de urgência e emergência na cidade de Belém com estrutura em alvenaria. Na ocasião a ocupação estava em pleno funcionamento, possuindo alguns compartimentos em reforma.

II – Informes e Informações

II.1 – Da idoneidade da ocupação
A ocupação estava sob guarda? Sim
No momento em que os peritos do CBMPA chegaram ao local, a ocupação estava idônea. Não senso constatadas alterações que prejudicassem as investigações.

II.2 – Das circunstâncias do evento e aspectos diversos
Havia seguro contra incêndio? Não

III – Exames

Nos exames diretamente efetuados os peritos signatários constataram o seguinte:
III.1 – Aspectos gerais
O aspecto geral da ocupação fora documentado pelas fotos anexas enumeradas de 1 a 20 e um vídeo feito por um funcionário no momento do sinistro, verificando-se a sua destruição (parcial)
III.2 – Foco inicial
Constatou-se um único foco principal

De acordo com o observado encontramos marcas na parede da sala de cirurgia 02 (localização da sala: ver figura 02 ) que produziram um formato de “V” ( Ver figura 03). Esta marca é tipicamente encontrada na zona de queimadura onde abriga o material combustível que queimou primeiro e comumente é encontrada em combustões próximas ou em contato com uma superfície vertical.

É possível confirmar a localização do foco do incêndio na figura 04 no vídeo feito por um funcionário do Hospital. No vídeo podemos observar que havia chamas no ar condicionado e que as partes plásticas do do equipamento foram onde primeiro se processou a combustão.

III.3 – Propagação

A propagação deu-se a partir do foco inicial por transmissão de calor por convecção, onde os gases quentes provenientes da combustão se acumularam na parte superior (teto) preenchendo o ambiente ( de cima para baixo ) e elevando a temperatura do local e consequentemente dos materiais combustíveis circunvizinhos ( ver figura 04). O compartimento ( sala de cirurgia 02) por ter a funcionalidade de uma sala de cirurgia e devendo ser protegida de eventuais contaminações, não possuía muitas aberturas ( janelas) formando um espaço fechado e ideal para uma saturação rápida de fumaça e aceleração do processo de propagação do incêndio.

Houve propagação também por contato direto, onde através de queda de material ignescente das partes plásticas da evaporadora da central de ar condicionado, fez com que os materiais localizados logo abaixo do foco inicial inflamassem, produzindo focos secundários (ver vídeo em CD Room e figuras 4 e 5 ). Nesta região encontravam-se também tubulações de oxigênio que pode ter acelerado a severidade da propagação.
Com abertura da porta a fumaça propagou-se para o corredor em direção aos outros compartimentos do bloco ( ver figuras de 12 a 19) até encontrar uma abertura que provocasse a dispersão da mesma.

III.4 – Aspectos particulares

Foram recolhidos materiais para exame de laboratório? Sim
Foram encontrados vestígios de material sujeito à combustão espontânea? Não
Identifique-os e localize-os: não diagnosticado
Encontraram-se vestígios de ter ocorrido Fenômeno Termoelétrico? Sim
Identifique-os e localize-os: diminutos trações de fusão (figura 20)

III.5 – Extensão dos danos

Em decorrência do incêndio verificaram-se danos com destruição total na sala de cirurgia 02 e danos parciais nas demais áreas do bloco em que teve contato direto com a fumaça.

III.6 – Aspectos complementares

Não foram constatados outros fatos importantes.
Além do exposto, também deve ser acrescentado o seguinte:
É importante registrar alguns fatores sobre a situação da central de ar, unidade interna (evaporadora ) da sala de cirurgia 02 do bloco cirúrgico, anterior ao sinistro que podem ter influenciado na ocorrência:

IV – Correlação dos elementos obtidos

Após análise da ocupação incendiada e principalmente do vídeo feito por um funcionário no momento do incêndio: em relação causas antropológicas intencionais não foram encontrados no local vestígio de agentes aceleradores ou fontes ígneas compatíveis com ação humana intencional. Em relação às causas de natureza Físico-Química, no que tange a combustão espontânea esta não ocrreu, pois no local não existiam materiais orgânicos acumulados ou armazenados que potencializassem a eclosão de focos de incêndios.

Dadas às boas condições climáticas, exclui-se a possibilidade de descargas elétricas atmosféricas (raios) como causa inicial do incêndio. Dessa forma, paralelo à análise dedutiva e de exclusão de possíveis outras causas, conforme as evidências observadas no local, registradas nas fotografias numeradas de 01 a 20 constantes no anexo 1, indicadores de queima, dada ao grau de destruição ocorrido nos resíduos de queima encontrado na sala de cirurgia 02, baseado em depoimentos e no vídeo feito no momento do sinistro, constatou-se causa de natureza físico-química com duas hipóteses com impossibilidades de exclusão devido a destruição dos materiais pela combustão:
1) Um processo dinâmico, com atrito ou fricção entre componentes de determinado equipamento ou motor – neste caso poderia ser o travamento do eixo e o motor forçando até aquecer ou falha nos rolamentos e superaquecimento nos contatos com o eixo em rotação (atrito) – que aumentou a energia cinética e por consequência aumentou a temperatura de maneira tal que acabou por ignir partes plásticas combustíveis da central, iniciando o incêndio.

2) Ou a existência de processos eletrodinâmicos (fenômenos Termoelétricos) que aumentaram a densidade de energia em determinados fio elétrico flexível, pertencenete a unidade interna da central de ar (evaporadora), e transformou a energia elétrica em uma energia calorífica suficiente para ignir partes plásticas combustíveis da central, iniciando o incêndio.

V – Conclusão

Pelo exposto e considerando a confrontação harmônica e recíproca entre os exames realizados, as informações prestadas e as investigações procedidas, os peritos signatários são levados a concluir que o incêndio ocorrido por volta das 14h25 do dia 25 de junho de 2015 no Hospital e Pronto Socorro Mário Pinotti, na sala de cirurgia 02 do bloco cirúrgico foi de natureza físico-química com falha no funcionamento eletromecânico da central de ar, unidade interna (evaporadora).

Anexo ao presente Laudo os seguintes documentos:
Anexo I – vinte figuras numeradas de 01 a 20, devidamente legendadas;
Anexo II – CD Room: vídeo feito por um funcionário.

Nada mais havendo a narras, foi encerrado o presente laudo, que lido e achado conforme, vai devidamente assinado pelos peritos.

Belém, 30 de julho de 2015

Charlyston Wytting Cardoso de Sousa – Major QOBM – Perito de Incêndios e Explosões
Alex dos Santos Lacerda – 1º Tenente QOBM – Perito de Incêndio e Explosões





























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