quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Bispo do Marajó é jurado de morte por denunciar prostituição infantil

No Norte do Brasil, uma situação dramática. A exploração sexual de menores de idade na Ilha do Marajó. O bispo da região, que tem denunciado o problema, está ameaçado de morte. Silêncio e lágrima. O rosto no canto da sala. São duas meninas de sete anos. A primeira foi abusada pelo vizinho, também acusado pela polícia de violentar outras duas meninas do bairro. Adamil de Souza Pinheiro está preso.

No depoimento, a criança disse que Adamil ofereceu bombons e pirulitos. E que levou as três para casa dele. A menina afirma que foi levada para cozinha e que Adamil tirou a roupa dela. Quando a criança disse que iria contar para o pai, Adamil teria a ameaçado de morte. À polícia, Adamil assumiu que manteve relação sexual com as três meninas. “Eu não conseguia acreditar de ter acontecido isso com a minha filha. Eu acho que isso não é gente pra mim. É um monstro”, lamentou a mãe da criança.

Em 2009, o Fantástico denunciou o abuso sexual de meninas na Ilha do Marajó mostrou. As vítimas dessa reportagem vivem em Melgaço, uma cidade de 26 mil habitantes que também tem o pior Índice de Desenvolvimento Humano do país.
Nos rios de Melgaço, o problema é a exploração sexual. No Tajapuru, o principal da região, crianças e adolescentes usam canoas para se aproximar das balsas que fazem o transporte de cargas entre Belém e Manaus. A princípio, essas meninas entram nas embarcações para vender açaí, farinha, palmito. Mas em muitos casos, acabam fazendo programa em troca de dinheiro, comida e até de combustível.

A denúncia é do bispo do Marajó, Dom José Luiz Azcona. Ele vive na região há 30 anos – e já testemunhou casos em que as crianças se ofereceram aos ocupantes das balsas com o consentimento da própria família.
“Uma mãe levava uma menina de 10 anos para uma dessas balsas, meninas que se chamam ‘balseiras’ no jargão normal. R$ 2,40 e um pequeno balde com vísceras de porco ou de boi, isso é que vale uma menina em algumas regiões do Marajó”, contou Dom José Luís Azcona, bispo da prelazia do Marajó - PA.

Nas palafitas do Tajapuru, o que se vê é uma geração de filhos de balseiras. Muitas foram mães aos 13, 14 anos.
Menina: Falou que eu era bonita... E aí, já sabe.
Jornal Nacional: Isso que aconteceu com você, acontece com outras meninas aqui na região?
Menina: Olha, acontece muito.

“A polícia, somente não, tá na questão da repressão, né? A gente também tenta conscientizar os balseiros e caminhoneiros que trafegam no rio pra que eles não deem carona a nenhuma crianças e nenhum adolescente”, afirmou o delegado Rodrigo Amorim.

O bispo reclama da falta de empenho das autoridades para combater os problemas na ilha. Dom José Luís Azcona já foi ameaçado de morte por denunciar a violência sexual na região. “Eu sou consciente de que me podem matar, mas eu não posso tolerar mais que esse fenômeno tão triste aconteça diante da minha cara”, disse Dom José Luís Azcona.

“O governo do estado, através da secretária estadual de segurança vem dando esse suporte para os atores e articuladores da sociedade, como Dom Azcona e como outras pessoas que estão lá no arquipélago pra manter a integridade deles”, disse o representante do governo do Pará Jorge Bittencourt.
Fonte: G1/Globo 

                                Dom Azcona: podem me matar, mas não vou tolerar isso

 

 

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