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Linha de Tiro - 12/04/2018

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

A incontida manipulação na imprensa do Pará. O naufrágio da credibilidade

Qual o sentido de se manipular uma informação, divulgar a fotografia de um acontecimento em outro Estado, que não seja fazer sensacionalismo e criminalizar uma torcida de clube de futebol, como fez o portal DOL, ontem à noite. Não foi a primeira vez que isso ocorreu, e não será a última, a menos que o presidente do grupo que abriga o portal, Jader Filho, tome uma providência. Se é que ele se preocupa com a credibilidade de sua organização empresarial.

Às 23h45,47 de ontem, o DOL postou a seguinte notícia, com o título "Fim de jogo tem saldo de briga e assalto em Belém", a respeito da partida do Paysandu contra o Fluminense. A matéria continha a foto de um homem caído no chão, ferido.

Pois bem, a fotografia não era da suposta ocorrência em Belém, mas de um crime ocorrido em julho de 2013, dois anos atrás, em Maceió, capital de Alagoas. A foto, de um homem agredido por populares, após tentar assaltar um policial e sua mulher, grávida, fazia parte de um texto do portal Gazeta Web.

Após a manipulação feita pelo DOL, imediatamente começaram a chover protestos nas redes sociais e na própria página da publicação, logo apagadas. Hoje cedo, às 7h10,57 o DOL publicou uma outra foto, substituindo a do homem espancado em Maceió. Desta vez, a foto era do estádio Mangueirão, visto do alto, ilustrando a matéria paraense. A foto é de Cristino Martins, da Agência Pará e que também trabalha no jornal "O Liberal", concorrente do grupo de Jader Filho. 

O DOL não fez nenhum pedido de desculpas aos seus leitores pela manipulação perpetrada. Preferiu agir como se nada tivesse acontecido. É assim que caminha o jornalismo em Belém.

Veja trecho da matéria do portal alagoano e a foto do homem espancado por populares.
 
Gazetaweb - 22/07/2013
No início da noite desta segunda-feira (22), dois homens assaltaram um policial militar e sua esposa grávida, no bairro da Jatiúca. Como o militar não estava em serviço, não estava fardado. Ele teria reagido ao assalto e conseguido, com a ajuda da população, capturar um dos bandidos, que foi espancado no meio da rua, em frente a outro policial militar, que atendeu à ocorrência. O espancamento foi filmado e postado em uma rede social.

Agora veja como ficou a notícia do DOL, e, abaixo, com a foto manipulada, comparando-a com a informação da Gazeta Web, de Alagoas


"Nos arredores do Estádio Olímpico do Pará, foram registrados casos de assaltos e brigas logo após o fim do jogo entre Paysandu e Fluminense (Foto: Cristiano Martins/Agência Pará)
Bastaram apenas alguns minutos para que o final da festa se transformasse em tumulto e confusão nas imediações do Estádio Olímpico do Pará. Assalto e brigas foram registrados na noite de hoje.  
Em um caso de oportunismo, um grupo de cerca de 30 homens, vestidos com a camisa do Paysandu, assaltou um ônibus da linha Sideral/Presidente Vargas na noite desta quarta-feira (26).
O crime ocorreu logo após o término do jogo do time paraense, que perdeu para o Fluminense, no Mangueirão, pelas oitavas de final da Copa do Brasil. A informação foi confirmada pela Polícia Militar.
Os bandidos levaram pertences dos passageiros como dinheiro, bolsas e celulares e ainda tentaram ferir o cobrador, que foi obrigado a entregar toda a renda do coletivo. Em seguida, eles fugiram.
Após a ação, motorista e cobrador foram levados para a Central de Flagrante de São Brás onde prestariam depoimento.
Nas redes sociais, internautas relataram o fato e disseram que a voz de assalto foi dada na altura da avenida Pedro Álvares Cabral com a Júlio César.
Antes do início do jogo, também foram registradas confusões na avenida Centenário.






3 comentários:

  1. Carlos Mendes tenho comentado este episódios com meus alunos de JORNALISMO na faculdade ESTÁCIO FAP.
    Agora, será que estes veículos possuem LINHA EDITORIAL?

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  2. Prezado Alfredo Garcia. Obrigado por vir aqui no blog manifestar sua preocupação com o que ocorre no jornalismo belemense. Nenhum deles, meu caro, para te ser sincero, possui linha editorial. Veja o caso do Diário do Pará, que importou um diretor de redação que foi editor da revista Contigo, uma revista de fofocas sobre a vida de celebridades. Além disso, o sangue brota das páginas policiais e suas manchetes sensacionalistas. Em vez de linha editorial, temos linha política, intimamente ligada ao departamento comercial. Lembra da frase: "ah, se o povo soubesse como são feitos os jornais e as linguiças"? Pois é, as linguiças estão anistiadas. Grande abraço.

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  3. Manoel Carlos
    Pra quem colocou na sua capa uma foto de Honduras isso mostra que não se faz jornalismo neste grupo de comunicação.

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