VER-O-FATO: No Pará, ficamos na miséria e a ver navios - no Maranhão

quinta-feira, 30 de julho de 2015

No Pará, ficamos na miséria e a ver navios - no Maranhão



O mestre em Economia pela Universidade Federal do Pará, professor Ramiro Nazaré, tem razão em lamentar que o Pará - sob a omissão de nossos governos e políticos - tenha perdido mais uma batalha para a Vale, que explora com voracidade nossas riquezas minerais, mas despeja no Maranhão suas divisas e royalties. "Amigo Sidou. Perdemos a luta, companheiro. Mais uma vez a Vale leva a melhor! Estou arrasado. Um abraço. Ramiro", escreveu o professor num e-mail enviado hoje ao jornalista Francisco Sidou.

Autor do livro "Tijoca - O Porto da Discórdia", que precisa ser lido por quem deseja saber porque nosso Estado ainda patina no atraso econômico e social, Ramiro Nazaré, no desabafo feito a Sidou, refere-se a uma notícia da Agência Reuters sobre o primeiro embarque, ontem, de milho pelo Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram). Por esse terminal, há cinco meses, a soja já é exportada para o mercado europeu e asiático. Além disso, ainda na madrugada de quarta-feira, começou o descarregamento do primeiro trem graneleiro no terminal.  

"Nossa estimativa é da ordem de 800 mil a 1 milhão de toneladas de milho saindo por lá até o fim do ano", revelou à Reuters o executivo representante do Tegram, Luiz Claudio Santos. O Tegram (foto), construído em São Luís por um consórcio composto por NovaAgri, Glencore, CGG Trading e Amaggi/Louis Dreyfus, é um dos grandes terminais que passaram a reforçar as operações de companhias exportadoras que buscam alternativas aos congestionados portos do Sul e do Sudeste do Brasil.

A primeira carga de milho exportada foi vendida pela trading CGG para o Oriente Médio, afirmou Santos, diretor de Logística e Infraestutura da CGG. O terminal despachou seu primeiro navio com soja em meados de março e agora passa a embarcar também milho, cereal que deverá dominar a pauta de exportações de grãos do Brasil no segundo semestre, após uma grande colheita no Centro-Oeste.

Até o momento, o Tegram já exportou 1,51 milhão de toneladas de soja, em 24 navios. A previsão, segundo Santos, é operar ainda oito navios com soja em agosto e mais dois em setembro. Gradualmente, no segundo semestre, o milho deverá dominar os embarques. A expectativa é fechar este primeiro ano de operações com exportações de 2,5 milhões de toneladas de grãos.

Após investimentos relativamente recentes, os terminais do Norte e Nordeste passaram ter uma papel mais relevante no escoamento da safra brasileira, e devem ganhar cada vez mais importância nos próximos anos.

A Reuters revelou na semana passada que a Multigrain, da japonesa Mitsui, começou a exportar soja não transgênica por um terminal incomum, no litoral de Sergipe, há cerca de dois meses.

Ainda no ano passado, as gigantes Bunge e ADM despacharam seus primeiros navios de soja por terminais localizados em Barcarena (PA), aproveitando-se do corredor fluvial da região do rio Amazonas.

Segundo o Tegram, as chuvas --que, quando ocorrem, obrigam o fechamento dos porões dos navios e interrompem os embarques-- não serão problemas para as operações nos próximos meses, já que a estação seca na região dura de julho a dezembro.

Ferrovia também leva soja

O Tegram está na ponta norte da Ferrovia Norte-Sul e da Estrada de Ferro Carajás, operando ao lado de terminais de grãos e minério de ferro da VLI Logística e da Vale, na capital maranhense.

Até esta semana, no entanto, o Tegram recebia apenas grãos por meio de caminhões. A VLI, que opera na ferrovia, entregou a obra de um ramal de cerca de dois quilômetros, que permitiu o acesso do primeiro trem, contratado pelo consórcio Amaggi/Louis Dreyfus Commodities.

"O modal ferroviário vai representar 70 a 80 por cento da nossa logística. O primeiro comboio de soja foi descarregado nesta madrugada", afirmou Santos.

Ao longo dos próximos meses, os descarregamentos ferroviários deverão gradualmente ganhar força no Tegram, ampliando as opções logísticas para produtores e empresas exportadoras que atuam em Tocantins, sul do Maranhão e leste de Mato Grosso, regiões de grande expansão de lavouras.

A VLI confirmou que dois novos terminais de transbordo, em Porto Nacional e Palmeirante, ambos em Tocantins, estarão recebendo caminhões e carregando grãos nos comboios ferroviários já para a próxima safra 2015/16.

Após os testes de 2015, o Tegram espera exportar 3,5 milhões de toneladas de grãos no ano que vem, projetou Santos. Quando a capacidade operacional da primeira fase do projeto for atingida, serão 5 milhões de toneladas anuais.

O porto rejeitado por governantes paraenses relapsos

O porto da Tijoca, um projeto que nunca saiu do papel, resolveria muitos problemas de logística para grandes exportadores de minérios e grãos que se utilizam hoje do território paraense para levar seus produtos para a Europa e Ásia, utilizando o porto de São Luís do Maranhão. No livro de Ramiro Nazaré, ele mostra todas as vantagens perdidas pelos governos paraenses em investir nessa alternativa fluvial.
A ponta do Espadarte, também conhecido como porto da Tijoca, fica na costa atlântica paraense, em Curuçá. De acordo com estudos feitos por técnicos do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social do Pará (Idesp), extinto nos governos do PSDB, a Tijoca apresenta no mínimo sete vantagens para funcionar como porto de embarque de cargas rumo ao mercado internacional.
 1. Facilidade de acesso multimodal.
 2. Está na porta de saída e de entrada do maior complexo hidroviário do mundo, formado pelas hidrovias do Amazonas, Madeira, Juruena/Tapajós, Araguaia/Tocantins .
3. Grandes profundidades - Apresenta uma profundidade de 26,00 metros, característica que o colocaria entre os cinco maiores do mundo.
4. Facilidade de manobra - Oferece requisitos inigualáveis para manobras de grandes navios, um canal com 1300 metros de largura e a possibilidade de berço, e píer de 2300 metros.
5. Abrigo de navios - O banco do Espadarte funciona como uma proteção natural aos navios tornando o porto abrigável e de alta segurança.
6. A movimentação das águas que apresenta ondas máximas de 1,20 metros e a batimetria de 2004 que apresentou o mesmo resultado da batimetria de 1946, ou seja, não sedimenta.
7. Não existe problema de acesso.


Ramiro ( foto, em pé, proferindo palestra sobre o tema ) está coberto de razões ao lamentar que as autoridades paraenses fiquem literalmente a ver navios – no vizinho estado do Maranhão - , enquanto nosso povo afunda na pobreza e miséria, portas abertas da violência escancarada que nos aflige. 








 

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