terça-feira, 21 de julho de 2015

Juiz nega agressão a lavrador, acusa políticos, e afirma: "não dei gravata nele, mas se ele quiser eu dou".


Em entrevista exclusiva ao Blog Ver-o-Fato, cuja íntegra você poderá ouvir aqui, o juiz Leonel Figueiredo Cavalcanti, da comarca de Chaves, no arquipélago do Marajó, acusado pelo lavrador Ademil Assunção dos Santos, 46 anos, de tê-lo agredido fisicamente, aplicar-lhe uma “gravata”, algemá-lo e de ainda determinar sua prisão, negou ter agido com violência. Cavalcanti acusa políticos do município de estarem por detrás da denúncia contra ele.
Provocado pelo repórter, ele se recusou a revelar os nomes dos políticos para que estes “não peçam minha suspeição nos processos deles que tenho aqui na comarca”. Segundo o magistrado, ele apenas “segurou o braço” de Assunção, enquanto este discutia com a promotora de Justiça, Ana Maria Magalhães Carvalho, “desrespeitando-a ao chamá-la de tu, além de agredir um policial militar”.
Nesse trecho de suas declarações, ele conta que segurou o braço do lavrador para que o policial militar pudesse algemá-lo, para logo em seguida afirmar para o repórter: “eu não dei a gravata, mas se ele quiser eu dou”. Segundo Cavalcanti, em outubro do ano passado ele concedeu uma liminar de reintegração de posse de outro lavrador cujo terreno Assunção havia invadido. “Até familiares dele saíram do terreno, mas ele se recusou a sair e ainda disse que não tinha recebido a ordem judicial”, acrescentou.
Na entrevista, Cavalcanti comparou-se ao juiz Sérgio Moro, responsável pelo processo da “Operação Lava Jato”, dizendo ter “nascido no país errado”. Ele também fala sobre outros dois episódios em que se envolveu. Em São Félix do Xingu, no sul do estado, em 2009, desferiu dois tiros contra um doente mental que o atacou com uma pá. O processo foi arquivado no TJ sob a alegação de que o juiz teria praticado “legítima defesa”.
Em Chaves, em agosto de 2013, mandou prender uma mulher grávida, que ficou durante três dias na mesma cela da delegacia com seis homens. A mulher ficou na cadeia porque não quis dizer onde estava o marido dela, investigado pela polícia por suposta tentativa de homicídio. No episódio, o delegado foi exonerado.
Mata leão” - De acordo com a denúncia do lavrador (ver gravação na íntegra aqui no blog ), Cavalcanti aplicou-lhe uma “gravata” e apertou seu pescoço com muita força até ele desmaiar, durante uma audiência na comunidade Vila do Arapixi, no final da semana passada, diante de dezenas de pessoas. “Eu tenho um processo contra um cidadão que invadiu meu terreno, mas não recebi a intimação da Justiça para a audiência. O juiz disse que mandou o documento, eu respondi que não havia recebido e o juiz, totalmente descontrolado, declarou que eu o estava desmentindo, pulou em cima de mim e me agrediu”, relata Assunção.
O filho dele, Admil Junior, também foi preso e algemado, por ordem do juiz, quando tentava socorrer o pai. Os dois foram levados algemados no mesmo barco em que estavam o juiz e a promotora Ana Maria Magalhães Carvalho. No meio da viagem para a cidade de Chaves, Assunção passou mal e foi socorrido pela promotora. Ao chegar, ele foi atendido num hospital e depois levado para a polícia, mas nem ele nem o filho ficaram presos, apenas assinaram um boletim de ocorrência. “Estou muito abalado, nunca passei por isso”, declarou Assunção, pedindo “justiça” ao TJE.
Pai e filho estiveram ontem pela manhã na Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SPDDH), contando o que ocorreu para o advogado Marco Apolo, presidente da entidade. Apolo vai expedir ofício à Corregedoria do Tribunal de Justiça cobrando punição ao magistrado. Hoje, eles irão à Defensoria Pública e à Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa.

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